Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/09/2019
Em 2015, o Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria criaram a campanha “Setembro Amarelo” para enfatizar a importância do tema depressão e suicídio na atualidade. Esse assunto ganhou bastante evidencia após a série “13 reasons why”, lançada em 2017, questionar os motivos para o autocídio da personagem Hanna. Não distante da ficção, o número de casos desse tipo tem aumentado por causa da depressão e potencializado pela exposição nas redes sociais. Por isso, torna-se necessário o debate sobre o autoextermínio entre os jovens para analisar as possíveis medidas solucionadoras.
Primeiramente, é importante lembrar que o ato suicida, geralmente, é antecedido por quadros depressivos. Conforme o conceito do suicídio egoísta, de Émile Durkheim, na sua obra “O Suicídio”, o indivíduo sente não se encaixar na sociedade. Analogamente, a falsa exposição de uma vida perfeita -no trabalho, finanças, e vida pessoal- leva o jovem a se vitimizar por não ter o mesmo, podendo induzir a ação autodestrutiva. De acordo com a Psicologia de Desenvolvimento, o jovem é influenciado facilmente pelas opiniões alheias e, na tentativa de se encaixar, passa a agir de forma inconstante. Dessa forma, é possível afirmar que os jovens sofrem pressão em vários aspectos e, muitas vezes, não sabem lidar com isso.
Em segundo lugar, mais dedicação ao mundo fictício reduziu o tempo gasto com exercícios e a boa qualidade do sono. Esse fatores estão relacionados ao quadro de depressão, visto que essas atividades liberam os “hormônios da felicidade”, por exemplo, a oxitocina(encarregado pelo bem-estar e disposição). Vale ressaltar, que o número de suicídios entre os jovens, de até 21 anos, de acordo com a UNICEF, já é maior que morte por doenças sexualmente transmissíveis. Assim, dado que esse desânimo tem algumas causas biológicas, o tratamento se torna mais alcançável.
Fica claro, portanto, que a internet possui influência na vida juvenil. Segundo Hanna Arendt, a dor só pode ser suportada se sobre ela houver uma história, ou seja, se for contada. Por isso, para atingir essa faixa etária de forma mais abrangente, cabe ao Ministério da Educação, criar a disciplina “saúde” no curriculum estudantil, por meio de decreto, para que sejam abordadas questões peculiares a mesma, como: primeiros socorros, alimentação e abordagem psicológica. Nesse ponto, a aula pode ter a presença de um psicólogo, favorecendo o ambiente com diálogo em sala a fim de gerar empatia e compreensão mútua. De forma contribuinte, as escolas devem incentivar a prática esportiva mediante mais aulas desse gênero, mesmo que seja de cunho recreativo, com o objetivo de melhorar não somente o bem-estar, como também fortalecer o sentimento de companheirismo entre os alunos