Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/10/2019
Werlher, adolescente retratado no livro " O sofrimento do jovem Werlher", após um fracasso amoroso, desencadeou uma série de sentimentos negativos, os quais estimularam-o a retirar sua própria vida. . De maneira análoga, quando se observa o drástico aumento do autocídio juvenil na sociedade brasileira atual, percebe-se a proximidade desse ideário literário da realidade nacional. Nesse sentido, nota-se a liquides das relações interpessoais e a influência do modelo econômico vigente como principais premissas à problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a obra " O suicídio" escrita pelo filosofo Émile Durkheim, a qual defende o desenvolvimento da indústria, por fortalecer o desencadeamento dos desejos e a busca desenfreada por conquistas, como fomentador da ampliação da taxa de suicídio. Cabe analisar desse modo, o capitalismo atrelado ao estímulo do consumo, fator primordial a manutenção desse sistema de governo, provocando uma insatisfação, cada vez maior, nos indivíduos, uma vez que, para tal, cria-se a ilusão de que a felicidade só será alcançado com a aquisição do produto. Logo, ao descobrir que a conquista material não trouxe consigo tal sentimento, muitos indivíduos, adquirem, com isso, a depressão, expressada pela ausência de projetos futuros.
Cabe salientar, outrossim, as mudanças nas relações interpessoais como outro fator a contribuir para o aumento do numero de suicidas, uma vez que, por sermos seres sociais, tal condição afeta diretamente na forma na qual reagimos as diferente situações da vida. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 16 anos, houve-se um aumento de cerca de 705% no número de pessoas afetadas por quadros depressivos, sendo essas, em sua maioria, jovens. Em vista desse alarmante dado, usa-se a ideia da modernidade líquida admitida pelo sociólogo Zigmunt Bauman, que evidencia a fluidez das relações interpessoais no cotidiano atual, isto é, no contexto da pós-modernidade, as relações humanas vem progressivamente se tornando mais impessoais e apáticas, dando base a esse cenário depressivo que leva milhões de pessoas a retirarem suas vidas.
Torna-se evidente, portanto, os entraves referentes a prevenção do suicídio dos jovens brasileiros. Logo, a priori, compete ao Ministério da Educação em sinergia com a Mídia, o papel de introduzir uma educação crítica e mais resistente ao bombardeio de propagandas cotidianas, por intermédio de projetos socioeducativos, no intuito de evitar frustrações decorrentes ao consumo, o que permitirá o distanciamento da relação felicidade e aquisição material. A posteriori, cabe a família realizar um maior dialogo e desenvolver relações mais sólidas, com a finalidade de formar indivíduos mais empáticos à realidade do outro. Com isso, quadros como o de Werlher se tornarão menos comuns no Brasil.