Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 11/09/2019

A segunda geração do Romantismo brasileiro teve como uma de suas principais características a ideia da morte como fuga dos problemas da vida. Décadas após o término de tal escola literária, observa-se que no Brasil muitos jovens ainda veem o óbito como única alternativa para conter as adversidades da vida, o que leva à prática do suicídio, a qual tem sido potencializada pela sensação de solidão da era pós moderna, bem como pela padronização de diversas esferas do cotidiano social.

É importante pontuar, de início, que a liquidez das relações sociais - principal característica da pós-modernidade, segundo o sociólogo Zigmount Baumman - é uma das principais causas que levam ao suicídio. Isso decorre do fato de que a falta de vínculos sociais duradouros e concretos, causada, sobretudo, pelo desenvolvimento de tecnologias, como as redes sociais, que ao passo em que propiciam o rápido estabelecimento de novas relações podem gerar sentimentos de solidão, visto que tais vínculos, por serem, em grande parte das vezes, apenas virtuais tornam-se efêmeros, o que culmina na sensação de abandono e falta de afeto, o que pode levar ao surgimento de doenças emocionais, como a depressão e, posteriormente, ao suicídio.

Outrossim, conforme defendido pelo sociólogo Emilie Durkheim, a coerção social leva os indivíduos à adoção de padrões e costumes impostos socialmente. Desse modo, a não adequação a tais imposições sociais faz com que haja, em determinados indivíduos, o despertar de um sentimento de frustração e exclusão social e veem no suicídio única alternativa para cessar as angústias emocionais. Assim,  conjuntura social das sociedades contemporâneas tem corroborado para os casos de suicídio no país que, segundo dados do Ministério da Saúde, em dez elevou-se em 24% entre os jovens no Brasil.

Frente ao exposto, fica evidente  a necessidade da prevenção dos casos de suicídio no  país. Para isso, é imprescindível que os governos municipais de todas as cidades brasileiras invistam na criação de espaços públicos destinados ao tratamento de doenças emocionais, por meio da contratação de profissionais especializados, como psicólogos e psiquiatras, que garantam atendimentos individuais e promovam reuniões coletivas àqueles que necessitam de acompanhamento psicológico para sanar suas angústias emocionais e encontrar outras soluções para as adversidades cotidianas que não aquela recorrente na literatura romântica brasileira.