Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/09/2019
“Quando Ismália enlouqueceu, pôs-se na torre a sonhar… viu uma lua no céu, viu outra lua no mar”. Ao versificar o psicológico de sua amada, Alphonsus de Guimaraens revelava a incerteza de sua esposa quanto a sua vontade de permanecer em vida. Mais à frente, essa dúvida existencial fez com que Ismália desistisse de insistir em viver e “As asas que Deus lhe deu, ruflaram de par em par… Sua alma subiu ao céu, seu copo desceu ao mar”. Analogamente a esse contexto literário, muitos outros jovens, no atual cenário nacional, decidem evadir-se de suas incertezas e aflições dessa mesma forma. Visto isso , é indispensável analisar a historicidade da ampliação do número de suicídio entre os jovens brasileiros, bem como sua paradoxal banalização e escanteamento social como motivos para a continuidade dessa conjuntura que aflige a sociedade brasileira. A princípio, é fundamental pontuar que a poesia do Mal do Século foi essencial para a difusão dessa ideologia na juventude. Isso ocorreu, pois foi justamente no início dessa tendência, com a publicação do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, que o suicídio começou a ser considerado como ato coerente por aqueles que buscavam fugir de seus problemas. A partir disso, esse extremo sentimentalismo pela morte tornou-se bastante comum no imaginário dos jovens e, por consequência, levou muitos ao mesmo fim de Werther: o suicídio. Logo, depreende-se que a gênese dessa problemática está intrinsecamente relacionada a uma de suas peculiaridades: simplesmente por existir, instabiliza o quadro social, uma vez que impulsiona comportamentos semelhantes. Em segundo plano, é importante salientar que a conduta social perante essa realidade dificulta bastante sua resolução. Isso se deve porque a sociedade brasileira não assume por completo o compromisso de debater esse tema, suas causas e precauções. Dessa forma, abrem-se espaços para muitos ainda observarem esse problema como algo puramente banal , corriqueiro , ou até mesmo fantasioso, fruto de mentes “loucas”. Assim, como transcorrido por Émile Durkheim, ao se ignorar esse fato social, isto é, elemento ligado à coesão social, a coletividade não condena apenas seu presente, mas também inúmeras futuras gerações, as quais terão que lidar com o suicídio cuja presença estará ainda mais expressiva e caótica em suas vivências. Ao fim, observa-se que esse pensamento retrógado serve como estopim para aqueles que já estão na iminência do suicídio e não se sentem assistidos pela comunidade social. Visto isso, é notória, portanto, a urgência na elaboração de uma resolução dessa problemática. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde, pela sua influência na construção do bem-estar físico e psicológico da sociedade, deve promover campanhas que incentivem aqueles que se sentem na necessidade a frequentarem psicólogos e psiquiatras, por meio de consultas gratuitas, a fim de se ampliar a assistência pública para esse problema , bem como impulsionar a quebra do pensamento que vincula o suicídio apenas aos problemas “fúteis” dos jovens. Assim, tantas outras Ismálias não precisarão conviver com constantes incertezas sobre suas vidas, nem necessitarão mergulhar tão profundamente a ponte de perderem a verdade lua, ou seja, suas vidas.