Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/09/2019
Na obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, o protagonista comete suicídio após ser rejeitado por sua amada Charlotte. O tom realista, depressivo e passional do livro, publicado em 1774, quando a literatura era a principal mídia entre os adolescentes, provocou uma comoção entre os jovens da época, que seguiram Werther e também se mataram. Apesar de tanto tempo, ainda hoje, os jovens continuam encontrando no suicídio uma forma de libertação e, portanto, esse problema de saúde pública vem se proliferando ao longo dos séculos e torna-se crescente as taxas de suicídio, o que evidencia a urgência deste problema.
Em primeiro lugar, o suicídio é consequência direta da depressão. Sabe-se que a depressão é uma tristeza profunda, que faz com que o indivíduo se sinta desencorajado e com baixa autoestima e, entre os fatores que o induzem a isso, temos a presença do bullying nas escolas e os casos de homofobia. Por isso, os jovens não se sentem compreendidos e sofrem com a depressão. Além disso, o advento das tecnologias trouxeram ao indivíduo a sensação de não pertencimento em seu próprio ambiente. O adolescente, ao necessitar se encaixar em um padrão, busca nas redes sociais uma forma de fazer parte de um grupo e quando não consegue se isola na frustração.
Não obstante, o ambiente familiar também auxilia o distanciamento individual sobre seu problema psicológico. Entendida como a “doença do século”, a depressão está entre um dos muitos distúrbios psíquicos que ganhou protagonismo na atualidade, embora ainda vistas como um “tabu” ou “frescura” para muitos brasileiros por falta de conhecimento, o que dificulta o ambiente de expressão dos jovens, iniciado pelo convívio com parentes. O contexto familiar é considerado fator desencadeante para a tentativa de suicídio. Perdas de vínculos afetivos ou violência doméstica colocam o adolescente em situação de vulnerabilidade.
Desse modo, é possível compreender que o suicídio existe no como reflexo de uma sociedade efêmera e líquida. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com a OMS, auxilie esses jovens através da inserção de profissionais da saúde especializados em distúrbios psicológicos nas escolas, possibilitando encontros semanais individuais e em grupos, para discutir os anseios e perigos dos conflitos da faixa etária. Além disso, a mídia deve abordar essa temática nos meios de comunicação com especialista, para a doença não ser mais um tabu. É necessário também, o apoio dos responsáveis para que retenha maior atenção para com estas crianças, para que não haja mais casos como o de Werther, em que a falta de auxílio ocasionou a morte, mas sim que o ambiente familiar e escolar se torne mais acessível e empático.