Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/09/2019

Em 1774, o Efeito Werther surgiu logo após um exemplo fictício de suicídio no romance escrito por Goethe, ‘’Os sofrimentos do jovem Werther’’, supostamente influenciar em casos verídicos deste ato cometidos pelos leitores europeus da época. Contudo, ainda que tal influência seja refutada cientificamente, a permanência de uma crença fundamentada em tabus sobre tal questão influi seriamente em dificuldades as quais impedem o debate como forma de prevenção a essa problemática, refletindo então, em números crescentes de suicídio entre jovens brasileiros.

Assim, sob viés de um cenário contemporâneo – cuja principal característica associa-se ao fácil acesso e troca de informações –, a linha tênue acerca do suicídio o mantém pouco difundido na sociedade, isto é, a discussão sobre tal assunto como forma de prevenção é deixada de lado em detrimento a omissão de seu debate como forma de evitar novos casos entre pessoas psicologicamente instáveis. Desse modo, apesar do suicídio representar a quarta maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos, dados do Ministério da Saúde (MS), à ampliação desse assunto nas escolas ou entre as famílias ainda ocorre de forma desproporcional a tal realidade. Por efeito, à medida que a falta de percepção parental leva ao desconforto do jovem em falar do assunto com sua própria família, a escola surge como a segunda instituição de suporte ao problema. Entretanto, as constantes ocorrências de intimidações nesses ambientes que se expandem por meio do cyberbullyng nas redes sociais, expõem cada vez mais o indivíduo a problemas de ansiedade e depressão. Nesse ínterim, apesar de campanhas como o Setembro Amarelo colocarem em pauta questões ligadas à saúde mental e, portanto, ao suicídio, é necessário que tais esforços se tornem parte da realidade constante do jovem e não somente em períodos específicos do ano.

Logo, é mister que o Estado promova a desmistificação dos tabus acerca do suicídio entre a sociedade civil. Para tanto, urge ao MS, em parceria ao Ministério da Educação (MEC) a disponibilização de profissionais de saúde que visitem os espaços de ensino e informem sobre a o atendimento realizado pelos Centros de Atenção Psicossocial. Ademais, a fim de promover a integração familiar e educacional, o MEC deve direcionar palestras sobre tema aos pais dos alunos, bem como a distribuição da Cartilha de Combate ao Suicídio desenvolvido pelo Conselho Federal de Medicina. Feito isso, a informação poderá ser utilizada para a real prevenção e solução do problema.