Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/09/2019

Na obra “O Suicídio” do sociólogo positivista Émile Durkheim é defendido que, embora pareça um fato isolado, o suicídio é um fato social, ou seja, sofre interferência da sociedade. É possível perceber essa teoria através dos crescentes casos que vêm alarmando a população brasileira, muitas vezes influenciados pela pouca conversação sobre o tema e também pela sensação da falta de pertencimento do indivíduo a um determinado grupo social.

Na série televisiva “Os 13 porquês”, Hannah Baker era uma garota que sofria bullying dentro e fora da escola, além de ter sido vítima de estupro. Sem saber como continuar vivendo com a vergonha que a consome, ela põe um fim à própria vida, acreditando que, dessa forma, estaria tirando seu sofrimento e deixando de ser uma decepção para os outros. Fora da ficção, é fato que o suicídio sempre foi um tabu na sociedade, logo, o medo de abordar o tema abertamente faz com que as pessoas se sintam sufocadas e incapazes de pedir ajuda, ou, em contrapartida, elas até buscam ser ajudadas, mas não recebem o apoio necessário daqueles que eventualmente não sabem como conversar aberta e claramente sobre o assunto.

É inegável que as mídias sociais vêm ganhando cada dia mais força na vida das pessoas, principalmente entre os jovens; o que, na verdade, pode se tornar um problema quando o assunto é suicídio. O Instagram, o YouTube e o Facebook têm sido grandes vilões que corroboram para que o usuário enxergue vidas perfeitas atrás das telas, tendo a ilusão de que apenas sua vida está desandando, o que acarreta certo deslocamento social e até mesmo uma depressão, levando-o muitas vezes à ideia de tirar a própria vida como forma de cessar o sofrimento.

Dessa maneira, é imprescindível que caminhos venham a ser identificados para a prevenção do suicídio entre os jovens no Brasil. Em primeira instância, a Organização Mundial da Saúde (OMS), juntamente com os governos federal, estaduais e municipais devem incluir o tema como disciplina escolar, fazendo parte da educação básica através de debates em roda e palestras com psicólogos capacitados. Ademais, é importante que figuras midiáticas publiquem anúncios que abordem o assunto e o Centro de Valorização à Vida (CVV) se expanda nas cidades do interior menos favorecidas para que o que aconteceu com Hannah Baker não ultrapasse a ficção e deixe de ser um tabu na população brasileira.