Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/09/2019

No livro ‘’Os Sofrimentos do Jovem Werther’’ do escritor alemão Goethe, é retratado o suicídio do personagem Werther, que vê na morte uma forma de libertação das angústias vivenciadas diariamente. De maneira análoga, hodiernamente, tal prática tornou-se um grave problema de saúde pública, tendo em vista os números significativos de suicídios entre jovens no Brasil. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse revés social que se faz crescente.

A priori, vale ressaltar um levantamento realizado pela OMS(Organização Mundial da Saúde), o qual estima que o suicídio é atualmente a segunda maior causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos. Acerca disso, é pertinente destacar o conceito de ‘’Suicídio Egoísta’’ do sociólogo Émile Durkheim, em que ele afirma ser motivado pela relação desintegrada que o indivíduo possuí com o meio social. Tal conjuntura pode ser evidenciada na sociedade brasileira, considerando a falta de diálogo e empatia entre o jovem e sua rede de relacionamentos, responsável por gerar severos transtornos emocionais, a exemplo da depressão e bipolaridade. Sendo assim, o jovem que sente uma enorme sensação de solidão e falta de compreensão, é conduzido a tirar a própria vida por acreditar que viver não faz mais sentido.

Outrossim, é imperioso citar o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, o qual afirma que vivemos um período de liberdade ilusória. Seguindo tal premissa, nota-se que a influência e pressão da sociedade sobre os jovens é fator preponderante para a problemática em questão. Dentro desse problema, vê-se que a intensa cobrança, advinda principalmente da família, submete o jovem à amadurecer cada vez mais precocemente. Desse modo, por não apresentar condições psíquicas adequadas para lidar com as frustrações e situações de muita responsabilidade, o suicídio torna-se uma ferramenta de fuga.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter esse cenário preocupante. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o da Educação, criar grupos de diálogos nas escolas e universidades onde os alunos poderiam debater suas aflições, por meio da inserção de psicólogos capacitados, a fim de que estes, identifiquem sinais de depressão e evitem possíveis tendências suicidas. Junto a isso, é vital que os pais procurem conversar frequentemente com seus filhos, dando à eles mais atenção e autonomia de escolha sob suas decisões. Só então, será factível assegurar o combate dessa prática irreversível.