Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/10/2019
Émile Durkheim, sociólogo francês, afirmava que em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de que não ocorresse uma patologia social. Entretanto, percebe-se que essa tese não vem sendo cumprida, visto que persistem os casos de suicídio entre os jovens no Brasil. Isso ocorre, sobretudo, devido não só a negligência do Estado, mas também a deficiente atuação das famílias.
Em primeira análise, ressalta-se que a negligência estatal corrobora significativamente para o aumento do número de suicídio. Essa realidade é constatada pelo Mapa da Violência, o qual aponta que, somente em 2014, houve 2.898 mortes entre jovens de 15 a 25 anos por conta do suicídio no país, demonstrando a ineficiência do Poder Público em garantir assistência a saúde do cidadão, o que contraria a Constituição Federal de 1988. Contudo, essas fatalidades também são decorrentes do uso de substâncias químicas e o acesso a armas letais, dificultando muitas vezes a ajuda necessária.
Outrossim, é importante frisar que a baixa participação das famílias na vida dos jovens facilita o acontecimento desses episódios trágicos. Conforme o pensador polonês Zygmund Bauman, a sociedade pós-moderna é caracterizada pelo individualismo e a fragilização das relações sociais. Nesse contexto, devido em grande parte a ausência dos pais, seja em monitorar o comportamento dos filhos, seja em dar atenção e afeto, os menores ficam mais suscetíveis a doenças graves, a exemplo da depressão , transtorno bipolar ou ser influenciados por meio de jogos virtuais perigosos, como ‘‘Baleia Azul’’, que propõe ao jogador tirar a vida no final do desafio.
Evidencia-se,portanto, que o suicídio entre os jovens precisar ser combatido. Nesse viés, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, por meio não somente da ampliação de postos especializados no assunto, mas também da maximização de Centros de Valorização da Vida e propagandas esclarecedoras, prevenir os altos índices de suicídio no país, com o intuito de conscientizar o indivíduo a buscar ajuda. Ademais, é imprescindível que as famílias, mediante o diálogo e a presença ativa na vida dos filhos, ensine desde cedo sobre a importância de relatar o que está ocorrendo diariamente na vida deles,além de dificultar o acesso a armas letais, com a finalidade de tanto fortalecer as relações sociais quanto evitar tragédias. Só assim essa patologia sociais será dirimida do país tupiniquim.