Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/09/2019

Na série “13 reasons why”, da Netflix, Hannah Baker é uma jovem que passa por diversas situações conturbantes, como bullying e estupro, até chegar ao extremo de tirar a própria vida. Fora da ficção, é fato que o cenário retratado na série juvenil pode ser relacionado à sociedade contemporânea: gradativamente, os índices de suicídio têm aumentado, principalmente entre os jovens, fazendo urgir a necessidade da criação de caminhos para reverter essa realidade trágica.

Em primeira análise, cabe pontuar que, conforme disse Augusto Cury, ‘‘quem comete suicídio nunca quer matar a vida, mas sim a dor". Sob este viés, é pertinente citar a necessidade humana de receber atenção e afeto para atenuar o sofrimento incessante e a desmotivação que podem levar o indivíduo a se matar. Essa carência emocional é um reflexo do individualismo, característico da modernidade líquida descrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Seguindo este raciocínio, um meio eficaz para reduzir a incidência de suicídios é proporcionar a todos a oportunidade de serem ouvidos.

Ademais, convém frisar que o suicídio, embora seja uma temática bastante discutida hodiernamente devido a fenômenos como “13 reasons why” e “Baleia Azul” - um desafio virtual com o objetivo de incitar seus usuários a suicidar -, ainda é encarado como uma realidade distante por uma boa parcela da população. Sendo assim, muitos indivíduos, leigos nesse assunto, ignoram as mudanças comportamentais típicas de pessoas portadoras de algum transtorno psicológico, como a depressão por exemplo, que pode acarretar o ato em questão. Desta forma, a sociedade não está preparada para acolher e ajudar alguém que não sente mais prazer em viver, muito menos para compreender as razões de sua morte. Uma prova disso está na letra da canção “Pais e filhos”, de Legião Urbana: “ninguém sabe o que aconteceu / ela se jogou do quinto andar / nada é fácil de entender”.

Em suma, para minimizar a problemática do suicídio, urge que ONGs criem canais midiáticos, como sites e redes sociais, nos quais voluntários possam se colocar à disposição de pessoas que estejam enfrentando momentos difíceis, para que elas possam desabafar e se sentirem acolhidas. Além disso, o Ministério da Educação poderia promover palestras de conscientização nas escolas, explicitando os sintomas de indivíduos com transtornos psicológicos e a necessidade de procurar ajuda nesses casos. Como efeito, a sociedade estaria preparada para atuar no combate ao suicídio, reduzindo a incidência destes atos.