Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/09/2019

No livro, ‘’Os Sofrimentos do Jovem Werther’’ do escritor alemão Goethe, é retratado o suicídio do personagem Werther, que vê na morte uma forma de libertação das angústias vivenciadas, diariamente. De maneira análoga, hodiernamente, tal prática entre os jovens, tornou-se um grave problema de saúde pública no Brasil, o que se deve tanto aos conflitos familiares, quanto à pressão social exercida sobre eles. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse revés que se faz crescente.

A priori, vale ressaltar que o suicídio é, por vezes, resultado da relação desintegrada que o jovem possuí com seu meio social. Acerca disso, pode-se citar o conceito de ‘’Modernidade Líquida’’ do filósofo Zygmunt Bauman, no qual ele declara que as relações interpessoais tornaram-se efêmeras e menos concretas. Tal premissa pode ser evidenciada na atual sociedade brasileira, tendo em vista a ausência de diálogo e de compreensão dos pais com os filhos, o que corrobora um quadro de transtornos emocionais, a exemplo da depressão e bipolaridade. Consequentemente, em decorrência do enorme sentimento de solidão e vulnerabilidade dos jovens, o suicídio lhes convém como escapatória.

Outrossim, nota-se que a influência e dominação da sociedade mostra-se como fator preponderante para a problemática em questão. A esse respeito, é pertinente destacar a obra ‘’Vigiar e Punir’’ do filósofo Michel Foucault, em que ele apresenta as instituições como formas coercitivas, responsáveis por impor padrões sociais. Seguindo esse pensamento, vê-se que a intensa cobrança da família e imposição de certas condutas relacionadas, principalmente, com a carreira profissional, submete o jovem à amadurecer cada vez mais precocemente. Desse modo, por não apresentar condições psíquicas adequadas para lidar com as frustrações e situações de muita responsabilidade, o jovem é conduzido a acabar com a própria vida.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para alterar esse cenário de negligência e opressão, fomentador do viés em debate. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o a da Educação, criar programas de apoio psicológico que trabalham com a prevenção do suicídio e valorização à vida, mediante a provisão de psicólogos capacitados nas escolas e universidades, a fim de que estes, promova a reflexão dos alunos e evitem possíveis atos suicidas. Ademais, é vital que os pais procurem dialogar frequentemente com seus filhos, dando à eles suporte e maior autonomia de escolha sob suas decisões. Só então, será factível assegurar o bem-estar e saúde mental dos jovens e, assim, minimizar essa prática irreversível.