Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/10/2019

No livro “os treze porquês” de Jay Asher, é retratado o mistério em torno do suicídio de uma adolescente chamada Hannah, a fim de durante a trama demonstrar as angústias, causas e consequências desse ato. Nesse contexto, o personagem Clay encontra fitas deixadas pela garota que se suicidou,  e além de estar possuindo um conteúdo indicando os treze motivos dela ter feito aquilo, também descobre que estão relacionados a desamparo por parte de estruturas sociais. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Asher pode ser relacionada a países do século 21, como o Brasil; pois gradativamente a falta de estruturas sociais dificulta os caminhos para a prevenção do suicídio entre jovens em território nacional.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, os jovens são facilmente afetados pelo efeito de Werther, isto é, a ação de reproduzir um suicídio divulgado por um meio de comunicação. Em conta de que, quanto menos amparado alguém é, menos ajuda encontra, e na fase da puberdade; grande parte das pessoas não estão associadas a casamento e trabalho, ou seja, sem estruturas sociais complexas. Assim, tornado-as mais propensas para que sucedam a um dilema pessoal em que o indivíduo se sente encurralado (gatilho) e recorre a se matar, como ocorre com Hannah.

Ademais, observa-se que o desejo de morte não é natural, e afetados por tal desejo costumam possuir transtornos mentais como depressão e ansiedade. Esses transtornos, além de serem difíceis de se identificar, também são ridicularizados pela sociedade, fazendo com que aqueles que sofrem com tais transtornos se sintam culpados, e ao invés de acionarem o Centro de Valorização da Vida(CVV) para que recebam auxílio, acabam em um fim trágico. Paralelamente, se relaciona a uma das teses desenvolvidas pelo sociólogo Émile Durkheim, o  “suicídio anômico”, que é um suicídio, no qual; o sujeito envolvido perdeu toda a fé na sociedade pelas instituições sociais não funcionarem direito. O suicídio não é uma doença, é a consequência de transtornos mentais somados a negligência da função social do coletivo com o indivíduo e, por conseguinte, torna-se veraz que intervenções sejam proferidas.

Portanto, conforme o supracitado, é imprescindível a ação de medidas que facilitem os caminhos para a prevenção do suicídio entre os jovens no Brasil. Logo, com o objetivo de evitar a propagação do efeito Werther e o suicídio anômico, cabe ao CVV buscar parcerias com canais de televisão e escolas, para que na mídia possa orientar uma produção de conteúdo que não sirva como gatilho. E que nas escolas possa fortalecer as estruturas sociais por meio de palestras que promovam a comunicação entre pais e filhos. Enfim, a partir dessas ações direcionadas a adolescentes que tem pensamentos suicidas, o CVV vai estar contribuindo de maneira eficaz para a prevenção do suicídio entre os jovens brasileiros.