Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/10/2019
Na obra “Cegueira Moral” do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a questão do aumento do suicídio entre os jovens, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto, tanto da falta de políticas eficientes, quanto da pouca conscientização da população. Diante disso, torna-se essencial a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade ainda nesse século.
Sobretudo, é fulcral pontuar que o aumento no suicídio de jovens deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerna à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-esta da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de ação das autoridades, na elaboração de projetos que combatam os problemas que levam ao suicídio. Em consequência disso, os verdadeiros motivos promotores do suicídio não são tratados, em exemplo, o Bullying, problema bastante recorrente, mas que muitas das vezes, não é tratado com seriedade. Desse modo é necessário que o Estado atue de forma urgente na raiz de problemas, os quais são o estopim do suicídio.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de conhecimento da população sobre o assunto como promotor do problema. De acordo com uma pesquisa realizada no portal de notícias G1, 72,6% da população acha que o suicídio acontece apenas após o indivíduo falar que irá tirar a própria vida. A partir desse pressuposto, a falta de conscientização sobre os modos de prevenção do autocídio corroboram com o aumento de casos de morte por esse problema nos últimos anos, pois familiares e amigos, principais ferramentas para inibir essa atitude do indivíduo, não sabem como agir quando em contato com uma pessoa que demonstra os primeiros sinais descontentamento com a vida. Por certo, o desconhecimento da prevenção contribui para o aumento exponencial desse quadro deletério.
Portanto, é possível defender que impasses políticos e sociais constituem desafios a se superar. É fundamental, em vista disso, que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério da Saúde, proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem às escolas a realizarem palestras, ministradas por psicólogos, que debatam comportamentos, sentimentos que levam ao suicídio e modos de prevenção, para que todos os alunos sejam capazes de identificar esse problema e agir de maneira eficiente, essa atitude atingirá toda a sociedade. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do suicídio e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.