Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/10/2019

“Quem comete atos de suicídios não quer matar a vida, mas sim a sua dor”. A frase atribuída ao escritor brasileiro Augusto Cury, expõe de maneira fidedigna o sentimento de ambivalência, característico em indivíduos com pensamentos suicidas. Por trás de tal comportamento, há uma combinação de fatores socioculturais que intensificam este quadro, como o receio de abordar a temática ou entendimento generalizado de que qualquer demonstração de fraqueza deve ser repelida. Tais aspectos culminam na manifestação exacerbada de comportamentos suicidas.

Convém ressaltar, a princípio, que a postura da própria comunidade ocasiona entraves no percurso de prevenção ao autocídio. Isso porque, o receio de tratar sobre o tema se faz presente nos meios de convívio social. Com efeito, o motivo para essa hesitação decorre do “Efeito Werner”, nomeado após uma série de suicídios desencadeados na Europa do século XVIII, relacionados à publicação do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werner”, cuja história retrata a vida de um adolescente que retirou a própria vida após um fracasso amoroso. Por conseguinte, atos contra a própria vida são abordados com displicência na sociedade, fato o qual corrobora para a banalização e para o descaso do sofrimento alheio. De fato, tal fenômeno mostra-se alarmante no Brasil, haja vista que 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados com a oferta de auxílio, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Outrossim, a maneira simplista como as emoções humanas são compreendidas reforçam tais práticas. Sob essa ótica, o sociólogo Byung-Chul Han diz que a sociedade do desempenho exige que os indivíduos sejam cada vez mais produtivos. Nesse sentido, perpetua-se a visão compartilhada de que qualquer demonstração de fraqueza deve ser repreendida e silenciada. Com isso, os sentimentos de angústia e a tristeza são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicação. Desse modo, o sociólogo Émile Durkheim expõe que o suicídio é resultado do meio que circunda o ser, sendo potencializado pela ausência de laços e redes capazes de proporcionar o acolhimento ao sujeito.

Diante disso, torna-se evidente a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da mídia, junto à grupos organizados da sociedade, como organizações não governamentais, promover a desmistificação do autocídio e incentivar o diálogo, por meio de documentários e reportagens, os quais retratem a seriedade dos pensamentos suicidas, com o intuito de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto e, com isso, estimular os jovens a buscarem auxílio. Além disso, é papel do Ministério da Saúde prevenir tais atos, mediante a ampliação de uma rede de apoio especializada que deverá oferecer suporte e tratamento adequado, com o objetivo de ensinar os indivíduos a lidarem com suas emoções a fim de preservar a sua integridade física e psicológica.