Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/10/2019
“Fugere Urbem”, a expressão símbolo dos textos árcades do século XVIII, evidencia todo um contexto caótico e problemático das cidades da época, o qual causava ânsia e o desejo de fuga ao eu-lírico. Analogamente, a realidade brasileira atual não é muito diferente, visto que em um cenário de constante exposição midiática e omissão das instituições sociais, problemas como ansiedade e estresse contribuem para o aumento de casos depressivos que culminam, não raro, em suicídio. Com efeito, é fundamental debater os impactos e consequências desse problema de saúde pública, bem como maneiras de o interromper.
Em primeira análise, é farto que a excessiva padronização imposta pela sociedade pós-moderna ocasiona entraves ao equilíbrio e saúde psicossocial do jovem brasileiro. Nesse viés, com o advento das redes sociais e a exposição desenfreada da rotina de seus usuários, criou-se uma ditadura da felicidade na qual sentimentos como angústia e tristeza são repelidos em detrimento de publicações que nem sempre correspondem à realidade. Por conseguinte, destaca-se um quadro de alerta apontado pela Associação Psiquiátrica da América Latina, segundo a qual, no Brasil, um suicídio ocorre a cada 45 minutos.
Ademais, é evidente que a postura dos agentes de conscientização e educação é questionável. Conforme o pensamento do sociólogo francês Émile Durkheim, o corpo social, tal qual um organismo, deve interagir de forma coesa e funcional. Não obstante, no Brasil, em que cerca de 56% dos alunos entrevistados pelo Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), apresentam problemas relacionados ao estresse e depressão, pouca ou nenhuma assistência é oferecida pelas instituições. Isso se comprova tanto pela falta de investimentos em recursos pedagógicos, quanto pela ausência de profissionais que ofereçam suporte afetivo a crianças e adolescentes.
Considerando os aspectos mencionados, é dever do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, investir na saúde pública, medida que poderá ser realizada tanto na ampliação de oferta de vagas para profissionais da saúde e o aumento do salário dos mesmos, quanto na melhoria da infraestrutura de postos de saúde e hospitais, de modo a aperfeiçoar diagnósticos e oferecer tratamentos gratuitos e de qualidade aos cidadãos. Com isso, é fundamental que o Ministério de Educação disponibilize materiais didáticos e mídias digitais à capacitação de escolas e educadores, ao mesmo tempo que providencie psicopedagogos e psicólogos às instituições, para que acompanhem e orientem os alunos. Por fim, cabe à mídia, como formadora de opinião, promover campanhas em canais televisivos abertos e eventos temáticos que despertem a sensibilidade social acerca do tema e combatam estigmas.