Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/10/2019

No século XIX, os autores da Segunda Geração do Romantismo abordavam em suas obras o desconforto e frustração perante à vida, os quais retratavam uma constante idealização da morte. No contexto atual, esse cenário de pessimismo aflige milhares de jovens todos os anos, o que resulta, muitas vezes, em casos de suicídio. Tal fato decorre, sobretudo, da alta incidência de patologias psicológicas não tratadas e agravadas por o meio social, e da falta de discussão efetiva sobre o assunto no âmbito escolar e familiar, o que configura um desafio a ser enfrentado por o Brasil.

É válido ressaltar, de início, que o suicídio tem relação direta com doenças mentais, a destacar a depressão. Segundo o psiquiatra brasileiro Aloysio d’Abreu: “Para o deprimido, o mundo deixa de ser colorido.” Sob essa ótica, o indíviduo que detém de tal patologia, muitas vezes, não consegue lidar com as pressões externas e superar obstáculos, o que torna a vida, para ele, tediosa e insuportável. Desse modo, cidadãos que não possuem auxílio médico para tratar-se, ficam imersos em um panorama de melancolia e tristeza, que perduram por um longo período e resultam em incapacidade de ver solução para seus problemas. Nesse sentido, os jovens, durante a sua transição para a vida adulta, passam por desafios e mudanças, que necessitam de resiliência e cuidado com a sua saúde psíquica, em que ao serem negligenciados agravam o problema. Por conseguinte, o cidadão desenvolve a crença de que a sua própria morte será responsável por resolver seus entraves, o que acarreta o suicídio.

Outrossim, o diálogo produtivo sobre o assunto ainda é um tabu para muitas escolas e famílias. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de tentativas de suicídio, e da realização do ato, cresceu muito em relação aos últimos anos. No entanto, a falsa noção, presente no imaginário social, de que problemas psicológicos não são tão graves, resulta em resistência para que pais e professores discutam abertamente sobre o tema. Dessa maneira, a maioria das escolas, por exemplo, carecem de estruturas para fornecer assistência profissional, orientação e apoio aos jovens que necessitarem de auxílio. Sob esse âmbito, a ausência de fornecimento de informações e debate sobre essa questão corroboram a sensação no indivíduo de que ele está sozinho, em que a falta de perspectiva se sobressai e o suicídio é visto como única opção para superação de seus impasses.

Portanto, o suicídio entre os jovens constitui um problema para a nação. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promoverem medidas de assistência especializada nas escolas. Para isso, deve-se implementar nas instituições aulas, debates e projetos preventivos com a participação de uma equipe de profissionais da saúde durante períodos do ano letivo, além de convidar as famílias. Ademais, deve-se colocar psicólogos disponíveis nas escolas, a fim de atenuar a questão.