Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/10/2019

Conhecida como “Mal do Século", a segunda geração romântica foi marcada, sobretudo, pela desejo do escapismo por meio da morte. No Brasil atual, apesar do aumento no enfoque acerca da importância da sua prevenção, o índice de suicídio cresce cada vez mais, principalmente entre jovens. Nesse sentido, é possível atribuir esse fato à intensa insatisfação com o contexto o qual o indivíduo está inserido e aos impactos causados pela falta de resiliência das novas gerações.

Em primeira análise, ainda que dados históricos comprovarem que o atentado à própria vida está presente desde o início das primeiras civilizações, é importante uma observação de forma mais aprofundada. Desse modo, um dos principais destaques nesse estudo foi o sociólogo Émile Durkheim, o qual afirmou que o suicídio deve ser considerado um fato social e por isso, é necessário  considerar as variantes sociais para entendê-lo. Sob essa ótica, diante do atual contexto de instabilidade social e econômica, pelo menos uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo maior percentual está ligado à situação de crise dos países mais pobres. Assim, uma vez que a camada social mais jovem é a que possui menor estabilidade, principalmente diante do alto índice de desemprego, surge nela o incessante sentimento de insatisfação e a falta de perseverança, a qual pode levar á depressão e ao suicídio.

Por outro lado, embora descontente com a sua realidade, a juventude cada vez menos luta efetivamente para transformar seu cenário. Conforme observou-se em diversos movimentos sociais, tais indivíduos sempre foram protagonistas da luta pela transformação nas diferentes áreas da esfera pública. No entanto, Segundo Zygmunt Bauman, umas das principais consequências da atual liquidez presente na sociedade é o fim das utopias; ou seja, o indivíduo não pensa mais a longo prazo, não consegue traduzir seus desejos em um projeto de longa duração e trabalho intenso para modificar o seu presente. Nesse viés, é alterada a sua capacidade de ser resiliente, que consiste na resistência e superação das situações adversas as quais surgem em seu cotidiano, sejam elas: políticas, econômicas ou interpessoais. Logo, essa conjuntura intensifica a vulnerabilidade do ser humano e pode, diante da pressão externa, levar a condições extremas como a renúncia do seu direito à vida.

Desse modo, apesar da beleza poética presente no Romantismo, o suicídio configura um problema que deve ser combatido de forma mais acentuada pela sociedade. Para tanto, visto o importante papel da Escola na formação do cidadão, ela deve promover o protagonismo e a resiliência juvenil por meio de projetos interdisciplinares com palestras, oficinas e debates voltados a necessidade de preparar esse público para enfrentar instabilidades, o que o tornará,   menos suscetível a suicidar-se.