Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 14/10/2019
Policarpo Quaresma, protagonista da obra prime de Lima Barreto, foi um nacionalista extremado, que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avanço no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como o suicídio entre os jovens ainda se fazem presentes no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma os fatores socioculturais influenciam no comportamento suicida, bem como esclarecer o porquê se trata de um problema sério de saúde pública, em busca de soluções eficientes para esse entrave.
Em abordagem inicial, é preciso entender que aspectos socioculturais estão intimamente ligados com índices de suicídio. Nessa perspectiva, tal problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizada por Barreto, na medida em que notícias detalhadas sobre o tema e casos de suicídios envolvendo celebridades, quando glamourizados, manifestam reflexões negativas ao jovem. Aliás, não se pode negar que segundo o sociólogo David Phillips, o suicídio quando noticiado ou retratado ficcionalmente, gera o chamado “Efeito Werther”, no qual se baseia no livro “Os sofrimentos do jovem Werther” do escritor alemão Wolfgang von Goethe, em que o protagonista se suicida por amor. Após o lançamento, cerca de 40 jovens se suicidaram de maneira semelhante. Dessa forma se torna evidente a consequência do efeito imitativo do suicídio quando não tratado com sensibilidade.
Ainda convém lembrar que, segundo a OMS, o suicídio trata-se de um problema de saúde pública, e que desafia não só os profissionais da saúde, mas também o campo das ciências humanas. Esse cenário agrava-se no ambiente escolar, na qual os jovens lidam com diversas pressões, como por exemplo, o bullying, não só, como a ausência de amparo psicológico. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau, em sua obra “O contrato social”. Conforme o pensador, para um bom funcionamento dos organismos sociais é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando o princípio da cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social pois, quando não intervencionado, gera consequências irreversíveis.
Em síntese, é necessário que os veículos de comunicação, assim como os meios de entretenimento, abordem o suicídio de maneira preventiva, na qual ilustre outras possibilidades de enfrentar as adversidades da vida, sem recorrer à sensacionalização e detalhamento, de modo que não ocorra o “Efeito de Werther”. Outra ação importante a ser efetivada é o Ministério da Saúde aliado ao da Educação, promover ações no ambiente acadêmico, como consultas psicológicas e debates sobre os efeitos do bullying, com vistas a prevenir o problema e as consequências negativas nos jovens.