Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/10/2019
A série “13 Reasons Why”, da Netflix, conta a história da adolescente Hanna Baker, que após sofrer diversos abusos morais na escola, retira a própria vida como forma de manifestar seu sofrimento interior, o que traz grandes consequências à sua comunidade. Fora da ficção, a realidade não é tão distante pois no Brasil, o índice de suicídio entre jovens, lamentavelmente, tem adquirido enormes proporções. Dessa forma, urge que caminhos sejam tomados para se prevenir esse grave problema. Entre eles, destacam-se o combate ao bullying e a conscientização familiar.
Primeiramente, é importante pontuar que o assédio moral em suas variadas formas, seja por meio da humilhação, zombaria, ou até mesmo agressões físicas, é um dos principais responsáveis por levar a vítima a um estado de anomia social, assim como na série. Nessa lógica, o jovem oprimido tende a se isolar da sociedade e, com isso, desenvolver sérios problemas psicológicos, como a depressão. Por conseguinte, de acordo com dados do Estadão, cerca de 90% dos padecentes que põem fim à própria vida possuem algum tipo de transtorno mental, seja depressivo ou bipolar. Nessa esteira, é indubitável que as práticas de bullying estão entre as causas do problema e, por isso, devem ser combatidas.
Além disso, o ambiente familiar é um imprescindível meio de apoio ao jovem com tendências suicidas. Nesse contexto, Segundo o sociólogo Max Weber, pessoas próximas de alguém têm grande poder de influência sobre o comportamento e bem estar desse indivíduo, configurando-se uma “Ação Social”. Nessa perspectiva, percebe-se que a família funciona como um grande instrumento na prevenção de atos de autocídio e, por isso, cabe a ela a devida atenção e observância, de modo a não negligenciar possíveis “sintomas” de anomia, bem como a exclusão social, e assim servir de amparo para que o adolescente possa se sentir confortável e ter a plena consciência de que está seguro e que não está sozinho.
Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para antever essa nociva conjuntura. Para tanto, a fim de combater o crescente índice de suicídio entre os jovens, além de estimular a conscientização dos pais ou responsáveis sobre modos de lidar com essa questão, urge que o Ministério da Educação e cultura(MEC) juntamente com as instituições de ensino, por meio dos impostos arrecadados, financie a realização de um projeto pedagógico sobre a relevância do combate a atos de assédio moral, para ser efetuado nas escolas, o qual deve integrar atividades lúdicas, debates em sala de aula, palestras, além de uma ampla divulgação midiática. Só assim será possível minimizar esses atos de violência contra si mesmo e, por conseguinte, não permitir que os adolescentes se tornem personagens desse tipo de tragédia.