Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Sob o viés filosófico do alemão Jürgen Habermas, “a sociedade é dependente de uma crítica às suas próprias tradições”. Diante disso, o tema suicídio no Brasil deveria ser mais debatido, pois ainda é visto erroneamente como um tabu e isso promove ignorância e alienação da população sobre esse delicado assunto. Ademais, o número de suicídios no Brasil tem aumentado, o que evidencia a necessidade do diálogo a respeito dessa temática, a fim de produzir mais solidariedade e ações eficazes mediante o Estado para refrear esse problema social.
Conforme o mapa da violência de 2017, a quantidade de suicídios na população de 15 a 29 anos aumentaram quase 10% entre 2002 e 2014. Os motivos que podem levar alguém a cometer o suicídio são variados: desilusões amorosas, solidão, não saber lidar com frustrações, abuso de drogas e transtornos de humor. Logo, essas pessoas que não conseguem se libertar de vícios e dores psicológicas, por falta de apoio, acham fuga na morte, visando aliviar a dor existencial e, com isso, causando sofrimento aos amigos e familiares da vítima.
Além disso, para agravar a situação, muitas pessoas que possuem tendências suicidas escondem as suas dores por medo de preconceito e violência verbal, visto que a sociedade brasileira ainda possui estigmas machistas que preconizam que homens não choram e que a dor psicológica é fraqueza digna de deboche e desprezo. Dessa forma, o tratamento prévio de transtorno de humor, vícios e até autodestruição, torna-se limitado. De acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, “pensamento sem conteúdo é vazio; intuição sem conceito é cega”. De maneira análoga, o pensamento sem conteúdo a respeito de quem sofre com depressão ou vícios, movidos por meras intuições sem conceito pela falta de educação e instrução por parte do Estado, piora ainda mais o problema dos sofrentes. Vale salientar que os problemas que antecedem o suicídio são contornáveis e tratáveis.
Portanto, para inibir o número de suicídios e conscientizar a população que as dores antecedentes ao autocídio são tratáveis, urge que o Ministério da Educação procure, por meio de verbas governamentais, incentivar as pesquisas relativas aos problemas anteriores ao suicídio nas universidades, com o intuito de diagnosticar e categorizar com precisão os transtornos de humor. Simultaneamente, que o Governo Federal disponibilize psicólogos e psiquiatras nas instituições de ensino, com a intenção de acompanhar os alunos que precisam de ajuda e que sofrem com transtornos e que seja feito palestras de conscientização sobre o tema periodicamente em conjunto dos professores e familiares dos alunos, com o propósito de conscientizar a população de maneira assertiva. Nessa perspectiva, a população obterá mais consciência sobre a temática e dignidade.