Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Embora seja tratado como tabu pela sociedade, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, é necessário que se reconheça a importância de falar sobre esse assunto e tratá-lo como um problema de saúde pública. Pois, somente a informação será capaz de contornar os problemas trazidos pelas relações sociais fragilizadas atuais e as inconstâncias da adolescência.
Convém lembrar que, segundo o filósofo Zygmund Bauman, a modernidade trouxe a liquefação das formas sociais: o trabalho, a família, as amizades e até mesmo a sua própria identidade. Sendo assim, os comportamentos de um possível adolescente suicida que já são difíceis de serem percebidos, tornam-se ainda mais complicados diante dessa falta de interação social. Além disso, há a necessidade de uma relação duradoura para que uma pessoa confie em outra para que possa desabafar seus sentimentos e fraquezas, o que é difícil acontecer em tempo de modernidade líquida, segundo o filósofo. Assim sendo, uma das principais ferramentas para a prevenção, o apoio emocional, ficou enfraquecido na modernidade.
Além disso, existe a falta de repertório de vida dos adolescentes. Essa fase é cheia de impulsividade, de ambientes hostis, de frustrações, de problemas amorosos e de descobertas. Associado a isso, há a falta de vivência para lidar com essas dificuldades e a imaturidade para ter consciência da importância da empatia e da responsabilidade emocional. Desse modo, os jovens são bastante suscetíveis ao comportamento suicida. O livro “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, deixou isso claro ao causar uma onda de suicídios de jovens que se identificaram com a personagem, por exemplo. Tendo consciência disso, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais é considerado fundamental para o século XXI pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Logo, além da falta de conhecimento dos sinais de um comportamento suicida, a fluidez das interações sociais bem como as instabilidades da adolescência produziram altos números de suicídios entre jovens. Dessa maneira, como é função do Executivo a operacionalização de políticas públicas, o Ministério da Saúde precisa criar campanhas educativas para informar aos cidadãos sobre os gatilhos de comportamentos suicidas e colocá-las no Plano Plurianual da pasta para garantir a sua continuidade. Tendo em vista que, os sintomas são baseados em comportamento e isso é muito diferente dos que as pessoas estão acostumadas e traz o debate para a sociedade a fim de demonstrar a sua importância. Além disso, os aparatos de comunicação é um espaço político com capacidade de construir opinião pública, formar consciências, influir nos comportamentos, valores, crenças e atitudes.