Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/10/2019

O filme “As vantagens de ser invisível” narra a história de Charlie, um garoto tímido que, na passagem pela adolescência se vê em constantes conflitos identitários, existenciais e de relacionamentos. No filme, a partir de transtornos de ansiedade e depressão, Charlie intensifica suas emoções em relação ao falecimento de sua tia, chegando ao ponto de apresentar comportamentos suicidas. Assim como ele, muitos jovens brasileiros passam pela mesma situação e se encontrando, na maioria das vezes, desamparados, sem os devidos acompanhamentos psicológicos nas escolas e universidades.

Em primeira análise, é necessário ter em mente que a população mais propensa a cometer suicídio compreende jovens na faixa escolar e universitária, entre 15 e 29 anos, como detalha o Mapa da Violência de 2017. Tal fato corrobora com a ideia de que há uma carência de profissionais qualificados e campanhas em prol da saúde mental nesses ambientes. Em Institutos Federais, por exemplo, é comum a contratação de um único psicólogo para o acompanhamento de centenas de alunos, como acontece no IFMG campus Congonhas, em Minas Gerais.

Em segunda análise, a falta do acompanhamento psicológico no ambiente acadêmico e escolar acaba gerando complicações no aprendizado e nas próprias relações de amizade entre colegas. Situações desse tipo podem servir como pistas para identificação de jovens com maior probabilidade de cometerem suicídio, como relata o professor de Psicologia da Universidade de Princeton, Daniel Khaneman, em seu livro “Rápido e Devagar: duas formas de pensar”.

Por fim, conclui-se que grande parte do problema relacionado ao suicídio e transtornos psicológicos no Brasil poderão ser freados tomando boas práticas da Psicologia Escolar. Assim, o Poder Legislativo deve criar Propostas de Emendas à Constituição (PECs) visando a obrigatoriedade de acompanhamentos psicológicos em universidades e escolas, sejam elas públicas ou privadas. O projeto deve contar com um número mínimo de psicólogos, estabelecido rigorosamente a partir da quantidade de alunos da instituição. Além disso, a equipe de saúde mental formada deve, sempre que possível, oferecer programas de extensão, os quais devem visar a conscientização e o debate sobre depressão e suicídio para o público externo. Dessa forma, os jovens se desenvolverão psicologicamente e o problema do suicídio será combatido pela raiz.