Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 17/10/2019

O escritor inglês Thomas More, em sua obra ‘‘Utopia’’, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se padroniza pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa no Brasil, hodiernamente, é o oposto do que o autor prega, uma vez que os meios para a prevenção do suicídio entre jovens apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto não só do descumprimento de direitos garantidos na Constituição Federal de 1988, mas também do escasso debate sobre causas dessa atitude. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é inquestionável que o incumprimento das condições de cidadania, promulgadas na Carta Magna deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que tange à criação de mecanismos que cessem tais recorrências. Segundo o pensador britânico Thomas Hobbes, no livro ‘‘Leviatã’’, o Estado é responsável por manter a organização de toda a sociedade e garantir o seu bem-estar, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Assim, devido à falta de atuação das autoridades, esses cidadãos sentem-se desamparados, isolam-se, tornam-se vulneráveis e destrutivos, cometendo o autocídio. Desse modo, torna-se imprescindível a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Por outra perspectiva, é necessário ressaltar a precária discussão sobre a motivação dos jovens como promotora do entrave. De acordo com o portal de notícias da Rede Globo (G1), nos últimos 20 anos, cresceu em aproximadamente 25% a ocorrência de atentados à própria vida entre pessoas de 15 a 29 anos. Partindo desse pressuposto, a baixa compreensão sobre a real importância do assunto por pais e colégios tem por consequência o ínfimo debate, que corrobora, portanto, ao aumento desses infortúnios. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo para a perpetuação desse quadro nocivo.

Infere-se, portanto, que medidas executáveis são necessárias para prevenir a recorrência de suicídios entre os jovens brasileiros. Nesse sentido, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde (MS), junto às Organizações não Governamentais que apoiem a causa, será revertido na ampliação de políticas fiscais para posturas que ferem à cidadania, publicações elucidativas em redes sociais e aulas informativas para toda a população, por meio de visitas frequentes aos colégios, palestras e reuniões abertas ao público. Dessa forma, em médio e longo prazo, será possível não só expandir o diálogo, como também os valores éticos e morais relacionados ao tema. Assim sendo, a coletividade alcançará a Utopia de More.