Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/10/2019
“Quem me vê sorrindo/ pensa que estou alegre/ O meu sorriso é por consolação/ Porque sei conter para ninguém ver/ O pranto do meu coração”. No trecho da canção “Quem me vê sorrindo”, Cartola evidencia a camuflagem de seus sentimentos em face dos paradigmas que regem a vivência coletiva. De maneira semelhante, a persistência dos estigmas sociais em torno dos transtornos mentais acentua o sofrimento dos portadores na medida em que extingue o diálogo e, assim, impossibilita a compreensão efetiva da problemática. Nessa perspectiva, a tentativa de fuga pelo extermínio da própria vida se concebe como resultado de uma percepção desesperançosa e infeliz diante do mundo.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que o crescimento do número de suicídios está diretamente relacionado à maior incidência dos distúrbios psicológicos. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria revelam que 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. Nesse sentido, a negação da doença e a intensificação da sintomatologia contribui para o agravamento do quadro e, consequentemente, ideação de de convicções suicidas. Percebe-se, portanto, que a preocupação diante do processo de adoecimento se pauta na perspectiva inegável do vínculo existente entre os transtornos psicológicos e a busca resolutiva pelo autoextermínio.
Outrossim, ressalta-se que o tabu que circunda as patologias de origem psicológica acentua a conjectura exposta, já que a ausência do diálogo culmina não somente na continuidade da ignorância, mas também no silenciamento daqueles que são portadores desses transtornos. De acordo com Platão, o diferencial do ser humano em relação aos animais reside na sua habilidade em trocar experiências e, desta maneira, evoluir. Não obstante, o cenário exposto demonstra uma regressão da humanidade, posto que a comunicação é suprimida e, inevitavelmente, a possibilidade da progressividade.
Portanto, é mister a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. Na busca pela ampliação do debate em torno dos transtornos psiquiátricos e consequente assistência aos necessitados, cabe ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados, por meio de investimentos e fundos estatais, a aprovação de leis que regulamentem a contratação de psicólogos especializados em tratamentos com jovens da rede pública e privada de ensino. Ademais, é necessário que as escolas criem um projeto focalizado na conscientização dos pais sobre o impacto das doenças mentais, mediante a realização de palestras e conferências periódicas ministradas por profissionais da saúde. Espera-se com isto, que os inúmeros Cartolas existentes possam expressar seus verdadeiros sentimentos, obter suporte emocional e psicológico e, assim, reduzir os índices de suicídio na sociedade brasileira.