Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2019

A aclamada série de televisão “13 Reasons Why” narra a história de Hannah Baker, uma jovem americana que ao se mudar para um ambiente social opressivo e não receber ajuda psicológica acredita que sua única saída é tirar a própia vida. Longe da ficção, o suicídio é uma das principais causas de mortes de jovens no Brasil. Além disso, o tabu que esse assunto representa na sociedade aliado às pressões sociais, como o desemprego, que incidem sobre esse corpo social contribuem para o agravamento dessa problemática.

Em primeiro lugar, é imprescindível salientar que o desconhecimento acerca dos transtornos mentais que levam ao suicídio é um dos principais fatores que favorecem a persistência do preconceito ao se falar sobre esse assunto. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), 87% dos brasileiros nunca tiveram uma consulta com um psicólogo. Nesse sentido, percebe-se que há uma incompreensão dos brasileiros sobre a importância do acompanhamento psicológico. Dessa forma, os indivíduos que pensam em cometer suicídio não sabem onde procurar tratamento, além disso, as pessoas à sua volta, como familiares e amigos, não estão preparadas para falar sobre o assunto. Logo, faz-se mister a oferta de atendimento psicológico na rede pública de saúde.

Outrossim, é imperativo avaliar que o índice de desemprego entre os jovens reflete o número de suicídios dentro desse grupo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego atinge 27,3% dos jovens no Brasil, número esse que é superior ao dobro da taxa geral e é influenciado pela baixa qualificação profissional e falta de experiência desses indivíduos ao buscar oportunidades no ambiente laboral. Nesse sentido, é notório que a ociosidade é uma das principais causas de depressão que, consequentemente, pode levar ao suicídio.

Depreende-se, portanto, a necessidade de políticas públicas que objetivem a prevenção de suicídio entre jovens no Brasil. Cabe ao Ministério da saúde a contratação de psicólogos que atendam pacientes pelo SUS por meio de concursos públicos. Esses profissionais deverão atuar nas áreas já contempladas pelo programa Estratégia da Saúde Familiar (ESF) com o objetivo de acompanhar a população que não tem condições de pagar por consultas. Além disso, o Ministério da Economia deve incentivar a contratação de jovens em seu primeiro emprego, isso deve acontecer provendo incentivos fiscais à empresas que disponibilizem partes de suas vagas á esse grupo tendo por finalidade diminuir a alta taxa de desemprego que atinge os jovens. Quiça, assim, tal hiato se reverterá, sobretudo na perspectiva brasileira e casos como da personagem Hannah Baker sejam cada vez mais escassos.