Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2019

A obra “O ovo da serpente”, do sueco Ingman Bergman, retrata a passividade com que a nação alemã lidou com o seu futuro eminente, o nazismo. Nessa narrativa, a comunidade observa aquele “mal” que se delineia — um réptil que quebra parte do seu ovo e continua se formando, protegido por uma fina membrana — e  pode agir contra ele, mas, não o faz. Fora da ficção, analogamente, a população brasileira repete esse mesmo erro no que tange o suicídio entre os jovens do país, uma vez que ela observa a fragilidade emocional da juventude e não busca caminhos para prevenir esses atos. Pode-se dizer, então, que o Estado e a sociedade falham na construção de um trajeto tranquilo, seja pela falta de políticas públicas ou pela ausência de informações.

Inicialmente, cabe ressaltar que a viabilização nacional de políticas normativas no âmbito da saúde mental juvenil é o primeiro passo para uma trajetória prudente. No entanto, o país fracassa nessas ações, mediante os baixos investimentos nessa pauta. De acordo com o Ministério da Saúde (MS) apenas 1,5% da previsão orçamentária de 2019 será dedicada aos transtornos mentais —depressão e ansiedade —, principais fomentadores do autocídio entre os jovens. Nesse sentido, a atuação do Estado é contraditória, visto o investimento deficitário em um setor que apresentou um aumento de 2,3%, ainda segundo o MS. Dessa forma, a proporcionalidade de investimentos é um desafio nessa rota de precaução do comportamento suicida.

Além disso, uma sociedade é o reflexo da atuação do seu governo. Dito isso, a falha estatal  citada contribuí com uma população desinformada e, por conseguinte, despreparada em atenuar situações como o suicídio. Acerca disso, evidencia-se o papel da informação tal qual uma ferramenta de identificação dos comportamentos suicidários e de prevenção desses atos. Na visão do educador brasileiro, Paulo Freire, o diálogo cria bases para colaboração, ou seja, a falta de debates e discussões sobre o tema impede que suas características sejam difundidas socialmente, o que implica pouca participação social na promoção de ambientes seguros para os jovens.

Fica evidente, portanto, que os caminhos para prevenção do suicídio serão resultados de uma atuação efetiva do Estado. Para tanto, cabe à União investir no MS, por meio da ampliação dos recursos orçamentários. Essa medida proporcionará condições para que esse Ministério possa difundir campanhas informativas diárias, com o fito de elucidar os comportamentos suicidas e quais rotas podem auxiliar nesses casos. Ademais, ele pode ampliar toda a estrutura psicológica dos Centros de Assistência Psicossocial (CAPS) — terapeutas, neurologistas, psicólogos — profissionais necessários para atenuar esse impasse nacional. Dessa forma, o réptil será destruído antes de sua formação.