Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/10/2019

O provérbio “quando a mente adoece o corpo padece” resume o fenômeno crescente dos transtornos mentais e dos casos de suicídio entre os jovens do Brasil. Segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apesar de os índices mundiais diminuírem, a taxa entre adolescentes que vivem nas grandes cidades brasileiras aumentou 24% entre 2006 e 2015, o que coloca a sociedade em alerta para essa epidemia. Diante da constatação exposta, dois caminhos fazem-se relevantes para prevenir o suicídio entre os jovens no país: promover a busca por ajuda profissional e combater o preconceito associado aos transtornos mentais.

Primeiramente, cabe pautar que incentivar as pessoas afetadas pelos transtornos mentais a buscarem orientação médica é fundamental para prevenir casos de suicídio. Nesse sentido, de acordo com a coordenadora da Comissão de Combate ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, Alexandrina Meleiros, nove entre cada dez suicídios, poderiam ser evitados com diagnóstico e tratamento corretos dos transtornos. Os seja, os tratamentos têm altos índices de prognóstico positivo e não devem ser banalizados em um cenário crítico e ascendente como o atual.

Em segunda análise, o preconceito deve ser igualmente combatido para prevenir os casos de autocídio entre os jovens do país. Nessa conjuntura, ressalta-se a máxima do filósofo iluminista Volteire: “preconceito é opinião sem conhecimento”. Ou seja, expressões pejorativas, como: “é frescura” ou que “está querendo chamar a atenção”, facilmente pronunciadas no dia a dia por pessoas desinformadas, não contribuem para a resolução do problema, visto que, quem convive com esse sofrimento, ao ouvir tais sentenças, se sentem ainda pior frente à vida.

Logo, cabe ao Ministério da Saúde investir, mediante redistribuição tributária, na campanha “Setembro Amarelo”, mês adotado para debater e prevenir o suicídio, a qual, apesar de já ser reconhecida pelo governo, ainda não possui a mesma relevância que o outubro rosa, por exemplo. Deve-se, para isso, divulgar, em cartazes nos estabelecimentos de saúde e em propagandas televisivas, depoimentos de pessoas tentaram suicídio e que superaram as dificuldades com o auxílio médico, para que, assim, desperte uma identificação nos jovens que passam por semelhante condição. Concomitantemente, cabe igualmente ao estado incentivar, mediante isenções fiscais, que empresas do ramo midiático retratem – em novelas, filmes e séries – as consequências nocivas do preconceito com as doenças mentais, para que, dessa forma, a partir da dramatização, a sociedade seja conduzida à reflexão e ao altruísmo com pessoas vulneráveis ao suicídio. Por conseguinte, a partir do conjunto de ações supracitadas, os índice de suicídio entre os jovens diminuirá.