Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2019
De acordo com Émile Durkheim a consciência coletiva é um sistema de regras e tradições que exerce pressão sobre o ser humano de maneira a influenciar seu comportamento. Nessa perspectiva, muitos indivíduos não conseguem lidar com as pressões socias e acabam por escolher o suícidio como solução para suas questões pessoais. Assim, torna-se necessário discutir sobre as causas que levam os jovens a cometerem suícidio e como o conhecimento sobre esse frequente e terrível problema pode auxiliar em medidas preventivas.
Em primeiro lugar, as motivações que induzem os adolescentes a provocarem sua própria morte são diversas e relacionadas com o sentimento de solidão. Nesse sentido, as redes sociais proporcionaram um maior contato entre as pessoas, porém suas relações se tornaram mais superficiais. De acordo com Guy Debord em seu livro “sociedade do espetáculo”, atualmente os indivíduos tendem a se preocupar mais com o ter do que com o ser. Dessa forma, a internet permite que haja uma demonstração daquilo que os jovens desejam aparentar possuir e ser, sem que verdadeiramente se expressem e construam laços reais, algo que contribui para a intensificação do sentimento de isolamento, o que leva o indivíduo a cometer o suícidio “egoísta”.
Além disso, a ausência de percepção dos familiares e amigos sobre os sinais e comportamentos dos adolescentes propícios ao suícidio agrava esse cenário. Desse modo, quando os pais não identificam que seus filhos possuem problemas emocionais, depressão ou até mesmo carência de amor e atenção, torna-se difícil realizar a prevenção. Ademais, cabe destacar que esse é um fato social que não distingue classe, etnia ou idade, o suícidio pode ocorrer em qualquer família. Um exemplo disso, é que muitas pessoas famosas e “importantes” já cometeram suícidio como Getúlio Vargas, antigo presidente do Brasil. Assim, é relevante que haja discussão sobre essa questão que é, frequentemente, omitida e evitada pelas famílias brasileiras.
Urge, portanto, que ações sejam realizadas para amenizar os índices de suícidio entre os jovens no Brasil. É responsabilidade do Ministério da Educação, em associação com o da Saúde, promover a inserção de disciplinas na grade curricular das escolas, que ensinem sobre gestão emocional. Para que os jovens, por meio de atividades lúdicas e debates, aprendam a lidar com as pressões sociais e as adversidades de suas vidas, além de conhecerem sobre as doenças que podem influenciar seus sentimentos e sanidade. Assim, a consciência coletiva interfira apenas positivamente na construção de valores sociais.