Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Na série ‘‘Os Treze Porquês’’, a trajetória da adolescente Hannah Baker e o seu fim suicida são retratados, exibindo que o suicídio não é simplesmente um meio para acabar com a vida, mas o último ato de uma sucessão de eventos trágicos. Infelizmente, no Brasil, a realidade dos jovens não está distante da exibida na ficção, e acontece por causa do tabu socialmente criado ao redor da saúde mental, sendo agravada pela falta de inteligência emocional.
Em primeira análise, faz-se importante destacar o papel da sociedade no suicídio, já que ela atua como uma invalidante da dor alheia, ao tratar os sofrimentos pessoais que são externados com irrelevância. Isso ocorre porque, desde a consolidação do Cristianismo pelos padres jesuítas, durante o período colonial, a responsabilidade pelo bem-estar humano foi transferida para Deus. Assim, admitir não estar mentalmente bem para outra pessoa, implica em alegar, mesmo que indiretamente, a falha desse Deus, o que não é concebível para uma sociedade na qual 86,8% da população é cristã, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consequentemente, a saúde mental não está na pauta do debate público por ser um tabu, criando caminhos que podem culminar no suicídio.
Evidentemente, a sociedade agrava a problemática, mas a maneira como as emoções são enxergadas também é responsável pelo suicídio entre os jovens brasileiros. Essa questão existe, pois, o advento da filosofia na Grécia Antiga deixou de herança para a sociedade ocidental um racionalismo tóxico, o qual reduz toda a condição humana ao seu aspecto racional, ignorando, assim, a constituição emotiva dos indivíduos. O resultado disso é a falta de maturidade emocional, constatada com dados de 2019, provenientes da Organização das Nações Unidas, os quais revelam que o Brasil caiu 16 posições no ranking global de felicidade em quatro anos.
Nota-se, portanto, o papel do tabu acerca da saúde mental e a ignorância sobre emoções como dois fatores chave ao discutir suicídio. Assim, o Ministério da Saúde, responsável pelo bem-estar dos cidadãos brasileiros, deve quebrar a conexão construída socialmente entre religiosidade e saúde mental. Essa ação pode ser feita através de palestras municipais com psicólogos (incentivados monetariamente pelo dinheiro já pago nos impostos), de modo que a saúde mental seja explicada como algo individual e válido, necessária para a superação dos sofrimentos, não necessariamente dependente de Deus. Além disso, o Ministério da Educação, responsável por administrar o ensino no país, deve ajudar os jovens a sintetizarem inteligência emocional. Isso pode ser realizado por meio da inserção de aulas sobre as emoções, de modo que os jovens entendam os próprios sentimentos. Com essas duas medidas, é provável que casos como o de Hannah Baker não venham a ser realidade.