Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à vida e ao bem-estar social. Conquanto, o suicídio entre os jovens impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática, haja vista os distúrbios mentais que assolam a juventude, bem como a liquidez dos relacionamentos sociais hodiernamente. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Em primeiro lugar, para entender a relevância do tema, é fundamental compreender os transtornos mentais que afetam a juventude. Os distúrbios psíquicos são condições que afetam o humor, o raciocínio e o comportamento do enfermo, geralmente relacionados com a depressão e a ansiedade, afetando a saúde mental, o convívio social e - em piores casos - ao suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número de indivíduos depressivos cresceu 70% em apenas 16 anos, atingindo especialmente a população jovem. Diante do exposto, é essencial analisar a cobrança excessiva e a pressão imposta aos jovens, pois com a busca incessante de ser o melhor e alcançar o sucesso, além do não enquadramento e aceitação social podem acarretar em enfermidades psicológicas e ao autocídio.

Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez das atuais relações sociais como impulsionador e agravante ao suicídio de jovens no país. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar da coletividade e tornando-se cada vez mais reclusos socialmente.Diante de tal contexto - a juventude marcada por essa liquidez - tende a ser mais imediatista, ter medo sobre o futuro, frágeis nos relacionamentos cotidianos e ausentes do ambiente social.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse entrave. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde, em junção com o Ministério da Educação, deve, por meio de verbas governamentais, estabelecer nas instituições e escolas do país, acompanhamento psicológico e profissionais da área para atuarem no combate e prevenção dos transtornos psicológicos, auxiliando os jovens e servindo de apoios às equipes pedagógicas e familiares, a fim de combater o quadro em questão. Ademais, cabe também à mídia - como formadora de opinião - promover, por meio de propagandas e campanhas, a valorização à vida e o incentivo à procura de auxílio. A partir dessas ações, a sociedade alcançará o estágio oposto da máxima Baumaniana.