Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2019
No livro “A revolução de Atlas” de Ayn Rand, é retratado um mundo distópico em que um Estado burocrático corrompe a legislação vigente, além de restringir a liberdade individual, a criatividade e a ambição dos cidadãos. Nesse sentido, a narrativa foca em um dos personagens da obra - Henry Rearden - um empresário industrial sobrecarregado e pressionado pelo trabalho, além de depressivo e melancólico, que isola-se do convívio sociofamiliar por não encaixar-se no âmbito social. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Rand pode ser relacionada ao contexto de suicídio da juventude brasileira hodiernamente, haja vista a desordem social, bem como a modernidade líquida. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em primeiro lugar, para entender a relevância do tema, é fundamental compreender a relação entre a desorganização social e o autocídio. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a anomia social é a ausência das normas em relação ao indivíduo, em que a desregulação das regras e o sentimento de distanciamento comunitário podem proporcionar enfermidades psicológicas e ao suicídio. Diante do exposto, é essencial analisar a anormalidade coletiva e a exclusão social, visto que esses efeitos corroboram para uma sociedade anômica e enferma, prejudicando os jovens com possíveis doenças - como depressão e ansiedade – que acarretam ao quadro de suicídio.
Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez das atuais relações sociais como impulsionador e agravante ao suicídio de jovens no país. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar da coletividade e tornando-se cada vez mais reclusos socialmente.Diante de tal contexto - a juventude marcada por essa liquidez - tende a ser mais imediatista, ter medo sobre o futuro, frágeis nos relacionamentos cotidianos e ausentes do ambiente social.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse entrave. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde, em junção com o Ministério da Educação, deve, por meio de verbas governamentais, estabelecer nas instituições e escolas do país, acompanhamento psicológico e profissionais da área para atuarem no combate e prevenção dos transtornos psicológicos, auxiliando os jovens e servindo de apoios às equipes pedagógicas e familiares, a fim de combater o quadro em questão. Ademais, cabe também à mídia - como formadora de opinião - promover, por meio de propagandas e campanhas, a valorização à vida e o incentivo ao uso do Centro de Valorização da Vida. A partir dessas ações, a sociedade alcançará o estágio oposto da máxima Baumaniana.