Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/10/2019

Promulgada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), a Declaração dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, no Brasil atual, observa-se que tais garantias fundamentais não se concretizam, na medida em que se constata um aumento nas taxas de suicídio entre as diversas parcelas da população e, em especial, entre os jovens. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Primeiramente, é importante notar que as estimativas acerca da correlação entre transtornos mentais e atos de suicídio apontam que ambos estão fortemente interligados. Em estimativa, esta correlação chega a 90% dos casos. Fatualmente, pode-se relacionar o anteposto ao imaginário que a sociedade brasileira possui no que concerne doenças como depressão e esquizofrenia. Em uma lógica psiquiátrica de atendimento ao doente mental, vigente hodiernamente no Brasil, o tratamento de tais afecções costuma mirar no âmbito medicamentoso e ignorar o âmbito social de reabilitação do indivíduo. Esse contexto abre possibilidade de agravamento dos quadros, como se observa pelas consumações de suicídio.

Ademais, o crescimento das taxas de suicídio entre os jovens pode, ainda, se relacionar à ausência do suporte necessário ofertado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Apesar de possuir um sistema respeitado no mundo inteiro e de, atualmente, ofertar saúde pública a mais de 200 milhões de indivíduos, o Brasil claramente enfrenta problemas na gestão de seu sistema unificado de saúde. Infelizmente, esse fato resulta na carência de oferta de psicólogos nos serviços de atenção primária, que já deveria ter se tornado prioridade, em razão do expressivo aumento percentual nas taxas de sucidídio entre os jovens de 15 a 29 anos. Segundo o Mapa da Violência de 2017, este aumento gira em torno de 27,2%, o que, indiscutivelmente, representa um dado catastrófico para o país.

Portanto, diante dos argumentos expostos, fica claro que medidas são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Urge que o Ministério da Saúde, por meio de recursos direcionados pelo Tribunal de Contas da União, amplie a oferta de profissionais e serviços da esfera de saúde mental na saúde primária. Infere-se que o estímulo e a facilidade de acesso dos jovens a serviços de saúde mental consiga impactar positivamente na prevenção do desenvolvimento de transtornos psicológicos e na redução das taxas de suicídio. Esta medida deveria ser acompanhada de um esforço de humanização por parte destes mesmos profissionais e serviços, para que se tenha uma visão global do indivíduo e de seu tratamento. Dessa maneira, as garantias presentes na Declaração dos Direitos Humanos estariam, de fato, se concretizando na realidade da sociedade brasileira.