Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/10/2019
“Construção”, canção de Chico Buarque, disserta de forma gradativa a rotina de um trabalhador alienado que se torna cada vez mais desesperançoso perante sua vida. De forma correlativa, muitos jovens, no século XXI, sofrem inúmeras pressões no campo social, econômico e familiar e ,consequentemente, apresentam o mesmo resultado. Dessa forma, para que esse frequente comportamento não culmine em suicídio, vale debater acerca de como o capitalismo ocidental e a manutenção dessa pauta como tabu se tornam empecilhos para o combate ao suicídio.
A priori, vale ressaltar que as tradições capitalistas corroboram para que a vida seja desvalorizada. Isso é evidente no Brasil, um país que possui raízes escravocratas e que , por muitos séculos, tratou o negro como objeto e potencial mão de obra. Entretanto, apesar do passar dos anos, a exploração do trabalhador aumenta de forma exponencial, haja vista as exaustivas jornadas de trabalho que , muitas vezes, são executadas até em dias de folga. Por essa razão, a pressão e o estresse sobre o jovem pode desencadear crises e , assim, levar ao suicídio, fato evidenciado pela Organização Internacional do Trabalho, que afirma que o estresse é um problema de saúde relacionado ao ambiente laboral e que atinge mais de 40 milhões de pessoas.
Outrossim, cabe afirmar que a persistência do suicídio como tabu torna inerte o combate à problemática. Na idade média, era um grande tabu a promoção da ciência que diferia daquela promovida pela igreja católica, entretanto, Galileu Galilei, físico italiano, desenvolveu a teoria do heliocentrismo. Esse estudo contrastou diretamente com o modelo imposto pela igreja e , apesar disso, muitas descobertas astronômicas só foram possíveis por meio do feito audacioso do cientista. De forma análoga, a permanência do suicídio como tabu nos ambientes escolares e familiares alimenta a aceitação do suicídio como algo banal e que não precisa ser debatido, um equívoco que pode servir de alicerce para o ato final.
Urge, portanto, a necessidade de planejar medidas que previnam o suicídio - principalmente - do setor juvenil. Para isso, o Poder Legislativo em consonância com Executivo, deve projetar e implementar uma lei que obrigue a contratação de psicólogos nas empresas - com sessões semanais e individuais - com o objetivo de acompanhar e assistir aos trabalhadores para a manutenção da saúde mental dos funcionários. Além disso, cabe ao Ministério da Educação adicionar a grade curricular das escolas públicas e privadas - no ensino fundamental e médio - a disciplina de ética e cidadania a fim de pôr em debate temas como : xenofobia, preconceito e o suicídio a fim de promover a real importância sobre esses assuntos nas instituições de ensino e em ambiente familiar.