Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Na contramão da tendência mundial, a taxa de suicídio no Brasil aumenta 7% em seis anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), número esse que chama atenção devido ao crescimento acentuado entre os jovens. Nessa perspectiva, se faz necessário a participação do Estado e das instituições sociais na compreensão desse fato anômico. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatores sociais que agem não só sobre os indivíduos isolados, mas sobre o grupo, sobre um conjunto da sociedade.
A República Federativa do Brasil, vem se posicionado a respeito do suicídio, ainda que seja de forma ociosa, em Abril de 2019, foi instituída a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e Suicídio, em forma de Lei - Lei número 13.819 - e deve ser implementada em cooperação dos Estados, Distrito Federal e Municípios, que tem como objetivo informar e sensibilizar a sociedade sobre a importância e a relevância das lesões auto provocadas como problemas de saúde pública passíveis de prevenção. Entretanto, é preciso difundir estas informações para a sociedade de uma forma mais clara. A mídia como formadora de opinião deve promover campanhas para auxiliar o Estado nessa questão.
Outrossim, ainda segundo o Sociólogo Durkheim, alguns fatores explicam o suicídio, dentre eles destacam-se o ‘‘caos social’’ que na contemporaneidade está refletido nas crises políticas, econômicas e sociais que assolam o Brasil são fatores condicionantes para o aumento do número de casos de estresse, ansiedade, depressão e, em casos mais graves, suicídios entre os jovens. A justificativa desses sintomas embasa na capacidade de a sociedade agir sobre os indivíduos, tanto do ponto de vista físico, quanto psíquico. Sob tal ótica, os suicídios enfrentados pelos jovens colocam em primeiro plano o estado doentio vivido por toda a população, seja pela negligência dos órgãos governamentais, que são responsáveis pelo amparo dos direitos individuais, ou pela própria família, escolas e os diversos grupos sociais.
Torna-se evidente, portanto, que as relações sociais são fundamentais para o entendimento e erradicação dos suicídios. Com o propósito de garantir isso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura incrementar nas escolas e canais de comunicação assuntos relacionados ao combate a essa patologia social, difundindo entre os jovens a importância da prevenção, além dos aspectos negativos. O papel da família se faz presente visto que o tema do suicídio deve ser incluído dentro do cardápio familiar por meio do diálogo diário para que sejam identificados indícios de transtornos desde cedo. Ademais, a sociedade deve utilizar a tecnologia em prol da conscientização e mobilização nas redes sociais. Esta seria, possivelmente, uma das abordagens feita por Durkheim na contemporaneidade.