Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/10/2019

A depressão é um transtorno mental que atinge milhões de brasileiros, e é uma das principais causas do aumento no número de suicídios, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o ato de tirar a própria vida surge como uma consequência do fato social. Durkheim argumenta que o suicídio se apresenta como uma solução encontrada pelas pessoas em resposta aos conflitos internos e as adversidades impostas pela vida em sociedade.Desse modo, compreender o contexto social e suas implicações é uma maneira interessante de interpretar tal fenômeno.

Nesse sentido, em uma sociedade moldada por ideais tipos ― padrões idealizados de perfeição― aqueles que de alguma forma não se adaptam sofrem com o repúdio e o isolamento. Progressivamente, essas pessoas podem desenvolver sentimentos depressivos, dissociando-se do convívio comunitário, e em casos mais graves, tendem, inclusive, a apresentar comportamento suicida. Sob essa perspectiva, Durkheim elucidou o conceito de Suicídio Egoísta, muito comum nas sociedades modernas, construídas sob valores culturais que, muitas vezes, não atendem as expectativas individuais.

Esse ponto de vista é retratado, de maneira contundente, na aclamada série da Netflix, 13 Reasons Why, em que Hannah, interpretada por Katherine Langford, é uma jovem que comete suicídio, mas deixa, contudo,13 fitas gravadas explicando os porquês do ato. Nessas gravações, a garota relata episódios de abuso psicológico e sexual, decepções emocionais e dores sentimentais. A série, baseada em um livro de mesmo nome, chama a atenção, pois, para aspectos como a negligência da escola na condução desse tipo de problema, além do papel dos pais na falta da construção de um diálogo com os filhos.

À vista disso, fica claro a necessidade do combate à depressão e, consequentemente, o suicídio. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde a promoção de campanhas que vinculem a importância dos cuidados com a saúde mental, disponibilizando, ao mesmo tempo, um maior número de profissionais da área no SUS, ampliando ações de diagnósticos e tratamento. Para tal fim, pode-se utilizar os programas como  o Saúde da Família, de modo a interiorizar o atendimento, expandindo o número de cidadãos assistidos e o Saúde na Escola, que oferece informações de educação em saúde, focando no trabalho de prevenção com os jovens. Ademais, a mídia exerce um papel muito importante nessa questão. Ao debater, explicitamente, o problema do suicídio ela expõe um assunto delicado que, ainda, constitui um tabu para muitas famílias. Portanto, a vinculação de artigos em jornais e revistas, matérias na tevê, séries e novelas, podem contribuir na desmistificação sobre a depressão, bem como uma maior compreensão da doença, salientando, também, o suicídio e como ele se tornou um caso de saúde pública.