Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/10/2019

Ferindo o direito a vida, estabelecido pela ONU, o suicídio apresenta-se como um dos males da humanidade. Entretanto, diferente do homicídio, este apresenta uma complexidade maior na causa do ato. O livro “Sapiens: uma breve história da humanidade” aborda o instinto de sobrevivência como fator dominante na vida humana, no qual o homem busca propagar a espécie e evitar a morte. Porém, o mal em questão consegue subjugar esse fator biológico, levantando a questão: Como?

Para Martinho Lutero, precursor do Luteranismo, isso se dava por uma possessão demoníaca indo contra a condenação da Igreja Católica que não permitia o sepulto adequado aos suicidas. Hoje, sabe-se por meio de dados da Organização Mundial de Saúde que essa entidade maligna é na verdade um transtorno mental, onde 90% do casos se dão por esse motivo. Ainda de acordo com a OMS, o Brasil é o segundo país com maior prevalência de depressão no continente o que reflete na falta de inteligência emocional entre os jovens a qual, por não saberem lidar com os próprios sentimentos, leva ao distúrbio.

Fato esse conseguinte de comportamentos individualistas e antissociais que caracterizam a geração Z, atuais adolescentes. Carecem de preparo em assuntos emocionais, não falam dos sentimentos nem os contemplam para aprender com eles. Nesse erro, o tabu se enraíza quando deveria ser quebrado ao ser abordado. É preciso falar sobre o suicídio, depressão, sentimentos. Dessa forma elimina-se a ignorância que permeia essas temáticas e as perpetua. Todavia, no caso da autodestruição, exige-se um maior cuidado ao versá-la. O youtuber e pesquisador Átila Iamarino retrata em um de seus vídeos o problema da série “13 reasons why” a qual, embora tenha discorrido sobre, cometeu vários erros gerando incentivos suicidas, nomeados gatilhos, tais como: mostrar o ato, transparecer no enredo a morte com consequências boas e a culpabilização das pessoas, uma vez que o autocídio é multifatorial. No vídeo, além do repúdio de especialistas, mostra-se inclusive um aumento de casos entre jovens após o lançamento da série ilustrando o impacto que a desinformação acarreta.

Tendo isso em mente, a abordagem ideal é a aplicação, pelo Ministério da Educação, táticas mais psicopedagógicas implementando psicólogos nas escolas afim de acompanhar o estado dos alunos, bem como aplicar atividades que exercitam a inteligência emocional dos estudantes os ensinando a lidar com questões interpessoais e intrapessoais o que irá torná-los mais sábios e preparados. Ademais, debater sobre assuntos como o autoextermínio responsivamente evitando os possíveis gatilhos trará maior conhecimento pondo um fim consequente ao tabu. Dessa forma, os jovens estarão mais aptos sobre seus problemas internos e a escola terá disponibilidade a psicoterapias o que afetará diretamente em 90% das causas de suicídio fazendo com que os transtornos sejam transtornados.