Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/10/2019
A campanha “Setembro Amarelo” tem a finalidade de disseminar a importância dos cuidados e prevenção de suicídio no Brasil. A esse respeito, atualmente a temática tem se tornado um dos principais problemas à saúde da população brasileira, uma vez que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um aumento, de 2010 a 2016, de 7% nos casos de suicídio no país. Dentre suas causas, é possível relacionar os aspectos da “vida moderna”, bem como o despreparo dos jovens em lidar com a situação. Logo, faz-se necessária uma reflexão crítica acerca do tema.
A princípio, é válido pontuar que o estilo de vida instituído pela sociedade do século XXI é um dos fatores que potencializam o impasse no Brasil. Sob esse viés, o filósofo Hartmut Rosa ressalta que: “a sensação da pressa é essencial para compreender a modernidade”. Nesse sentido, percebe-se na contemporaneidade a intensidade da dinâmica das atividades humanas, que são reflexo de uma maior inserção de tarefas e responsabilidade devido às obrigações do trabalho, do lar ou da faculdade, por exemplo. Esse excesso de atribuições pode culminar em vários distúrbios mentais, como a depressão, o que eleva a propensão ao ato suicida. Prova disso, foi a ocorrência de quatro autocídios em um período de dois meses, na Universidade de São Paulo, no ano de 2018, que estão ligados às dificuldades de adaptação dos estudantes à rotina e exigências particulares e profissionais.
Além disso, é necessário salientar a falta de conhecimento de vários indivíduos de como lidar com essa situação como ponto propício ao aumento da problemática. À vista disso, conforme a Psicologia do Desenvolvimento, o jovem é influenciado facilmente pelas opiniões alheias e, nessa tentativa de se adaptar, passa a agir de forma inconstante. Ligado a isso, é muito comum na sociedade haver uma repulsa por parte de alguns grupos sociais a respeito dos comportamentos de indivíduos que passam por problemas psicológicos. Esse fato se faz presente em ações coletivas, como bullying e estereótipos de inferioridade da vítima. Consequentemente essas pessoas acabam não buscando por ajuda e entram em um estado caracterizado pelo sociólogo Émile Durkheim como isolamento social, o que pode caminhar para o suicídio.
Destarte, para diminuir essa mazela no país, é fundamental que o Ministério da Saúde aumente os programas de prevenção ao suicídio no Brasil. Isso pode ser feito por meio da criação de institutos específicos de atendimento aos casos de descontrole emocional e psicológico com a presença de profissionais das áreas de psiquiatria e psicologia , tendo funcionamento de 24 horas por dia, com a disponibilização de recursos como teleatendimento, a fim de aumentar o tratamento especializado dessa mazela no país e, dessa forma, minimizá-lo na sociedade.