Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/10/2019

A série da netflix “Os 13 porquês”, conta a história da estudante Hannah e os motivos que a levou ao ato de suicídio. No decorrer da história a garota pede ajuda de várias formas, mas esses sinais são banalizados pelas pessoas ao seu redor. Apesar de ficcional, a obra apresenta um retrato verossímil da realidade, uma vez que o índice de suicídio tem aumentado cada vez mais no cenário brasileiro, tornando uma preocupação de saúde pública.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que culturalmente o suicídio é visto como um tabu pela sociedade. Como consequência disso, o assunto não é noticiado, comentado ou discutido. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nove entre dez casos de suicídio poderiam ser prevenidos se o assunto fosse mais abordado, pois as pessoas estariam mais conscientizadas para perceberem os sinais suicidas de alguém e assim buscar ajuda de um profissional. Outro ponto desencadeador do problema é o advento das tecnologias, que trouxe ao indivíduo a sensação de não pertencimento em seu próprio ambiente. O adolescente, ao necessitar se encaixar em um padrão, busca nas redes sociais uma forma de fazer parte de um grupo, quando não consegue êxito se sente frustado, o que pode desencadear diversos sentimentos negativos.

Além disso, a escola pode se tornar um cenário favorável no que se refere ao fortalecimento do comportamento suicida. A maioria das instituições de ensino estão negligenciando o processo de socialização entre os jovens e fazendo com que a atividade educativa estimule cada vez mais a competição, sobretudo para o vestibular. Exemplo disso, foi o caso de dois estudantes de uma escola de elite em São Paulo, que se mataram durante o período de provas. Portanto, no estágio em que se adquire uma identidade psicossocial, se as questões não forem bem resolvidas, o adolescente não reconhece sua identidade e seu papel no mundo e busca um referencial que dê sentido a seu existir, o que configura as obras ultrarromânticas, marcadas por dor, frustração, tédio, evasão da realidade e desejo pela morte.

Desse modo, é possível compreender que o suicídio existe como reflexo de uma sociedade efêmera e líquida. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Mundial da Saúde, auxilie esses jovens através da inserção de profissionais especializados, como psicológicos, nas escolas, possibilitando terapias e ajuda. Além disso, a mídia deve abordar essa temática nos meios de comunicação com especialistas, para desmistificar a doença como um tabu. Assim, casos como o de Hannah, em que a falta de auxílio ocasionou a morte, serão evitados.