Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, as rápidas transformações da sociedade promovem o enfraquecimento dos vínculos sociais e a eclosão de uma “crise de consciência coletiva”. Dessa forma, o corpo social adoece e atinge o estado anômico, em que às patologias sociais são originadas. Analogamente, nessa mesma linha de pensamento e como produto desse problema, surge o suicídio entre os jovens no Brasil. Nesse contexto, não só o bullying em sala de aula mas também a dificuldade em identificar depressão, são temas relevantes a serem analisados para amenizar essa problemática.
Em primeiro plano, é importante evidenciar que o ato do bullying é mais comum dentro da sala de aula, na medida em que há uma relação de competição por poder com o objetivo de angariar popularidade e dominar esse espaço. Conforme o filósofo Michel Foucault, as relações de poder e seus mecanismos são meios para a coercitividade, disciplina e controle do indivíduo. Assim, promovem ações discriminatórias e práticas frequentes de violência, ao mesmo tempo que favorecem a exclusão social. Desse modo, trazem consequências para os alvos, como a evasão e baixo rendimento escolar, isolamento e, consequentemente, depressão.
Por outro lado, existe uma enorme dificuldade em identificar os casos de depressão, haja vista que a vítima tem medo de relevar o infortúnio. Essa motivação está relacionada com o receio de mudança no tratamento e no convívio por parte de seu círculo social, medo de ser vista de uma forma diferente. Vale ressaltar, ainda, que a identificação desses casos é complexa, visto que nem sempre a pessoa que sofre tem o olhar deprimido ou forma física debilitada como é mostrado em telenovelas e filmes brasileiros. Em decorrência disso, vale ressaltar o suicídio, tema em destaque pela série estadunidense “13 Reasons Why”, que, por sua vez, é prejudicial aos familiares da vítima, devido ao sofrimento causado por essa ação.
Infere-se, portanto, que o bullying em sala de aula e a depressão são prejudiciais ao tecido social brasileiro. Nesse sentido, fim de mitigar esses problemas, a princípio, o Ministério da Saúde deve investir na criação de centros especializados em depressão, no Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de elucidar os casos. Ademais, a escola deve se empenhar em trabalhar sobre o tema, por meio de realizações de palestras, com a finalidade de trazer conhecimento aos educandos e seus familiares sobre a relação entre bullying e depressão, com o propósito de demonstrar os mecanismos e sintomas da doença, a fim de esclarecer as dúvidas da população. Somente assim, com a solução gradual desses problemas, será possível, por conseguinte, a construção de uma sociedade mais saudável.