Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os índices mundiais de suicídio diminuíram, mas, no entanto, entre os adolescentes que vivem nas grandes cidades brasileiras, aumentaram em 24% entre 2006 e 2015, o que coloca o país em alerta para essa epidemia. Diante da constatação exposta, dois caminhos fazem-se relevantes para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil: promover a busca por ajuda profissional e combater o preconceito associado aos transtornos mentais.
Primeiramente, cabe pautar que incentivar as pessoas afetadas pelos transtornos mentais a buscarem orientação médica é fundamental para prevenir casos de suicídio. Nesse sentido, de acordo com a coordenadora da Comissão de Combate ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, Alexandrina Meleiros, nove entre cada dez suicídios, poderiam ser evitados com diagnóstico e tratamento corretos dos transtornos. Os seja, os tratamentos têm altos índices de prognóstico positivo e não devem ser banalizados em um cenário crítico e ascendente como o atual.
Em segunda análise, o preconceito deve ser igualmente combatido para prevenir os casos de autocídio entre os jovens do país. Nessa conjuntura, ressalta-se a máxima do filósofo iluminista Volteire: “preconceito é opinião sem conhecimento”. Ou seja, expressões pejorativas, como: “é frescura” ou que “está querendo chamar a atenção”, facilmente pronunciadas no dia a dia por pessoas desinformadas, não contribuem para a resolução do problema, visto que, quem convive com esse sofrimento, ao ouvir tais sentenças, se sentem ainda pior frente à vida. Mudar a visão retrógrada da sociedade sobre os transtornos mentais é, portanto, indispensável para prevenir os casos de suicídio entre os jovens.
Logo, cabe ao Ministério da Saúde investir, mediante redistribuição tributária, na campanha “Setembro Amarelo”, mês adotado para debater e prevenir o suicídio, a qual, apesar de já ser reconhecida pelo governo, ainda não possui a mesma relevância que o outubro rosa, por exemplo. Deve-se, para isso, divulgar, em cartazes nos estabelecimentos de saúde e em propagandas televisivas, depoimentos de pessoas tentaram suicídio e que superaram as dificuldades com o auxílio médico, para que, assim, desperte uma identificação nos jovens que passam por semelhante condição. Concomitantemente, cabe igualmente ao estado incentivar, mediante isenções fiscais, que empresas do ramo midiático retratem – em novelas, filmes e séries – as consequências nocivas do preconceito com as doenças mentais, para que, dessa forma, a partir da dramatização, a sociedade seja conduzida à reflexão e ao altruísmo com pessoas vulneráveis ao suicídio. Por conseguinte, a partir do conjunto de ações supracitadas, os índices de suicídio entre os jovens diminuirão.