Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Para Durkheim, até mesmo um ato particular e privado está diretamente relacionado ao contexto social. Nesse sentido, o aumento consistente de autocídio entre os jovens brasileiros merece maior atenção por parte do Estado e da sociedade. Por conseguinte, dada a relevância da questão, medidas eficientes devem ser implementadas para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que, segundo o filósofo Guy Debord, a sociedade considera a existência como um espetáculo. Assim, o prestígio, a exibição e a ostentação, normalmente, são mais valorizadas do que as características essenciais do ser. Como consequência dessa realidade, dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a insuficiência de relações interpessoais consistentes tende a aumentar em mais de 30% a intolerância, o tédio e a insatisfação com a vida, fatores que podem resultar no suicídio de jovens. Nesse sentido, o convívio coletivo é um importante auxiliador nos momentos de crises existenciais, típicos dessa faixa etária. Dessa forma, é vital a consolidação de uma base de apoio para os púberes, seja por meio de amigos, familiares ou mesmo orientadores escolares.

Outrossim, uma pesquisa feita em 2018 pela Universidade de São Paulo, aponta que, muitas vezes, as pessoas que fazem parte do círculo social do indivíduo deprimido, percebem suas tendências suicidas. Apesar disso, essas características são banalizadas e consideradas como típicas da fase juvenil, devido, sobretudo, ao desconhecimento sobre a doença. Desse modo, a ausência de intervenção profissional aumenta as chances do autoextermínio. Logo, evidencia-se que mesmo com todo o avanço da tecnologia e dos meios informacionais, ainda é comum, em pleno século XXI, o preconceito e a discriminação contra os sintomas relacionados à saúde mental.

Portanto, para combater o autocídio entre os jovens, é necessário que o governo conscientize a sociedade sobre os principais fatores de risco e as formas de prevenção. Para tanto, isso será realizado por meio de campanhas, com imagens informativas e vídeos produzidos por psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais. Destarte, essa ação será amplamente divulgada nas redes sociais com a finalidade de introduzir o diálogo desse tema no cotidiano. Além disso, a população deve ser orientada sobre como identificar os sintomas suicidas e encaminhar indivíduos potenciais para os serviços públicos de saúde, a fim de terem o acompanhamento profissional e, consequentemente, aumento da qualidade de vida. Dessa maneira, espera-se que os indivíduos sejam acolhidos, de modo a reduzir o índice de suicídio.