Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições dos quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca dos caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil, é clara a influência de vários grupos sociais na construção da problemática. Torna-se pontual, nesse cenário, não apenas questionar como a atual super exposição de dados catalisa essa prática, mas também analisar seus impactos no organismo social.

A partir dessa problematização, cabe compreender como a exacerbada influenciação social sobre os jovens pode os levar à problemática. Atesta-se, assim, a ideia de Bourdieu, à medida que o advento da internet configurou uma maior acessibilidade aos dados e às pessoas, catalisa-se uma maior influência do todo sobre as partes em razão da quebra do espaço e do tempo provocado pelas tecnologias. Vale acrescentar, assim, o papel das redes sociais na veiculação de pessimismos, principalmente pelas notícias, e de padrões de vida inacessíveis, podendo estimular um desconcerto do jovem quanto à atualidade, o que, nos casos mais sérios, ou associados a doenças mentais, levá-los ao suicídio. Dessa maneira, verifica-se a necessidade de uma regulamentação do meio virtual para a contenção do problema.

Paralelamente à questão virtual, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate do suicídio. Constata-se, então, o viés de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem e para lidarem tanto com as doenças mentais, quanto com o próprio ato do suicídio, uma vez que esses assuntos são tratados como tabus e então, o diálogo acerca deles, que poderia amenizar a situação, não é estabelecido. Nesse sentido, é clara a ausência do assistencialismo das pessoas no que tange ao suicídio, configurando-se cegas pela analogia do sociólogo, e também possibilitando a recorrência do problema. Urge, portanto, a importância de ser estabelecido um canal ativo de comunicação entre as partes para a solução do quadro.

Entende-se, diante do exposto, a necessidade de medidas serem implantadas para conter o quadro atual. A princípio, é fundamental que o Ministério da Justiça desenvolva um projeto de lei que adapte o meio virtual à práticas que levem ao bem-estar social, por meio da quebra da estereotipização e do pessimismo ali expostos, como pela parceria com influenciadores digitais e pela amenização de notícias retratadas plea mídia, dessa forma, amenizando o fator midiático nas causas de suicídio. Ademais, cabe aos Ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde o desenvolvimento de campanhas publicitárias que instruam um primeiro contato e reconhecimento de potenciais suicidas e, em segunda instância, alertem órgãos de saúde sobre o caso, para assim, a sociedade agir junto com o Estado nesse combate. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.