Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/10/2019

No século XVIII, o iluminista Voltaire, em ‘‘Cândido ou o Otimismo’’, promovera profunda ruptura com a filosofia romântica de Leibniz ao ironizar a compreensão de que se vivia no melhor dos mundos possíveis.Contemporaneamente, o panorama de negligencia estatal e exclusão de minorias parece definitivamente legitimar as ideias protagonizadas pelo pensador francês.Com efeito, compreender os caminhos para a prevenção do suicídio jovial no Brasil,mostra-se um afazer de indubitável relevância.

Em uma primeira perspectiva, a superação da morte por autocídio na sociedade brasileira ergue-se como uma causa prioritária em decorrência da deslegitimação de direitos.Isso porque o Estado secundariza causas sociais que não se mostrem úteis ao fisiologismo de sua agenda, visto que, acastelado pelos seus governantes, ocorre a priorização de gastos em benefício próprio, em detrimento de investimentos em atendimento de qualidade e universal, os quais poderiam prevenir a causa suicida.Nesse sentido, Thomas Hobbes, em ‘‘O leviatã’’, desvela que o Governo,como apaziguador social, deveria garantir o bem-estar social.Essa reflexão materializa-se no presente momento do país, na medida em que o Poder Público descumpre seu papel e, consequentemente, sujeitos são destituídos de suas garantias sociais fundamentais, como o direito à vida.

Ademais, em um segundo plano, o combate ao óbito por suicídio na população torna-se fundamental em função da exclusão dessa parcela social.Esse quadro sociológico instaura-se devido à expressiva parcela populacional omitir-se diante de problemas sociais, já que considera a inércia preferível a mobilizar-se e pressionar o governo por mudanças,ou mesmo possui um preconceito velado.Essa afirmativa possui estreita relação com a premissa defendida por Félix Guattari e Gilles Deleuze,em ‘‘Mil Platôs, de que a contemporaneidade produz corpos dóceis, com o intuito de torná-los apáticos e, por conseguinte,compactuarem com a realidade existente.Dessa forma, a coletividade não manifesta-se a favor dos jovens propensos ao suicídio, e essa minoria permanece excluída ou negligenciada.

A displicência do Estado e a compactuação da sociedade,portanto, instauram o panorama da causa suicida no Brasil.Assim, o Poder Executivo Federal, sob a forma de Ministério da Saúde, deve promover políticas de inclusão social e prevenção da causa, por meio de incentivos a empresas privadas que, em contrapartida,invistam na construção e manutenção de unidades de saúde e linhas telefônicas, as quais funcionem em período integral no atendimento ao público, com a finalidade de garantir a proteção à vida e o exercício da cidadania.Em paralelo, o Governo também precisa investir na conscientização da sociedade, por intermédio de propagandas publicitárias em horários nobres.Dessa forma, os cidadãos seriam dignificados, e a filosofia romântica de Leibniz poderia, enfim, tornar-se realidade.