Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/05/2020

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à saúde como direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito ao suicídio entre os jovens do país. Isso acontece devido à desconhecida rede de apoio para a prevenção ao suicídio e ao assunto ainda ser tratado como um tabu pela população.

Em primeiro plano, a ineficiência do Estado em aplicar leis que garantam o acesso pleno aos ambientes da saúde restringe a cidadania dos indivíduos. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse público em promover o desenvolvimento de terapias na rede pública e na capacitação de profissionais especializados em tratar a mente humana. Dados oficiais do governo indicam que atualmente houve uma crescente de 10% no número de suicidas entre pessoas de 15 a 29 anos, entretanto, possuindo o Brasil mais de 200 milhões de habitantes, as estimativas são pessimistas para os próximos anos caso não haja a intervenção necessária.

Ademais, a falta de diálogo sobre suicídio também é responsável pelo agravamento do problema. Segundo a Revista Época, a maioria dos potenciais suicidas não encontram nos lares e nem no convívio social espaço para falar sobre sua intenção em retirar a própria vida ou, quando encontram, são desacreditados com o argumento de que “é pra chamar atenção”. Assim sendo, é inadmissível que a negação sobre o assunto persista na realidade brasileira.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do suicídio entre os jovens brasileiros é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Economia destine verbas para o desenvolvimento de terapias intensivas para esse nicho, capacitando toda a rede de profissionais da psiquiatria e psicologia, além do aumento do número de CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) por meio da inclusão do seu objetivo na Base de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de tornar essa rede de apoio mais conhecida e acessível. Além disso, cabe a todo o convívio social do potencial suicida, especialmente às famílias, promoverem diálogos sempre que observarem ações que possam incitar a autodestruição, a fim de desmistificar o assunto e poder contribuir com a sua desistência. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da democracia no âmbito da saúde.