Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/10/2019
No projeto textual “Falanstério” no século XIX, o filósofo Charles Fourier propõe uma comunidade ideal e perfeita. Nela pontua-se a ausência de conflitos e adversidades, o que vem, desde então influenciando as civilizações ocidentais. Contudo, a falta de medidas governamentais e sociais para solucionar o suicídio entre os jovens brasileiros, tem feito o Brasil se afastar desse lugar utópico. Nesse prima é importante analisar aspectos políticos e sociais que envolvem essa questão no país, afim de combater esse problema que está presente na sociedade brasileira.
Diante desse cenário, é lícito referenciar a tese do contrato social do filósofo Tomás Hobbes. Segundo ele, os cidadãos deve transferir o seu poder ao estado para que ele aja com o intuito de manter o bem-estar social, o qual é capaz de minimizar os males que assolam a sociedade. Com efeito, apesar da campanha Setembro Amarelo promovida pelo Ministério da Saúde, observa-se o aumento dos casos de suicídio entre os jovens brasileiros, o que reforça a “quebra” desse contrato social. Por conseguinte, desamparados por um bom sistema de saúde, esse jovens buscam o apoio emocional e psicológico nas drogas ou no álcool, como forma de aliviar o estresse vivenciado nos ambientes escolares, familiares e até mesmo no trabalho, o que resulta no desenvolvimento de doenças como ansiedade, transtornos depressivos e, em piores casos, ao suicídio.
Nesse viés, pode-se mencionar a teoria da “modernidade líquida” escrita por Zygmunt Bauman. De acordo com a sua tese, os indivíduos do século XXI vivem em relacionamentos fluídos, inconstantes e momentâneos, o que colabora com dificuldades em criar laços afetivos a longo prazo. Sendo assim, com o avanço das mídias sociais, interações sociais físicas são substituídas pelas interações nas redes sociais - mídia de maior alcance- pouco duradouras. Como resultado, os jovens que necessitam do apoio familiar e dos amigos, para enfrentar a situação depressiva em que vivem, são excluídos e negligenciados, visto que há uma substituição em demonstrar o suporte emocional virtualmente do que presencialmente.
Torna-se evidente, portanto, que a entrave social do suicídio entre os jovens é de urgência na pauta de saúde pública do Brasil. Assim, cabe ás prefeituras, nas escolas de ensino fundamental e médio, com a participação de alunos, pais e professores, a realização de palestras ministradas por psicólogos e agentes da saúde, com a finalidade de tirar dúvidas sobre os males que levam ao suicídio, bem como promover um debate entre família e alunos, para desabafarem sobre as dificuldades que estão passando. Também, é de suma importância, que o Ministério da Saúde desenvolva campanhas nas redes sociais sobre a problemática, com o objetivo de trazer a questão ao conhecimento de todos.