Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2019

No Brasil hodierno, o suicídio atinge níveis alarmantes, o que suscitou a elaboração da campanha de prevenção a essa problemática, Setembro Amarelo, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). Nessa perspectiva, elencam-se como fatores determinantes o despreparo dos órgãos de saúde para prevenir os atos suicidas e a insuficiência de se assistir à saúde mental dos indivíduos, bem como a escassez de esclarecimento da população acerca de tal questão. Devido a isso, urgem medidas mais eficientes, por parte do poder público e das instituições formadoras de opinião, para sanar tais deficiências.

Com efeito, a partir do fim do século XIX, retomaram-se questões voltadas para a valorização da psique humana, sobretudo com o desenvolvimento da psicanálise Freudiana, a qual ratificou a importância da mente para o devido funcionamento do organismo. Todavia, ao revés de tais avanços, na compreensão das problemáticas psicológicas, o sistema de saúde brasileiro permanece muito atrelado à visão cartesiana de separação entre mente e corpo, o que implica um legado de negligência com a saúde mental da população e de despreparo de muitos profissionais dessa área para lidar com os transtornos psicossociais e o suicídio. Em virtude disso, ocasiona-se a falta de estrutura adequada para o atendimento psicológico em hospitais e clínicas, o que torna muitos indivíduos vulneráveis a essas patologias e suscetíveis a cometer tal ato.

Ademais, corrobora essa problemática a influência  direta da sociedade sobre o comportamento dos indivíduos, conforme elucidou o sociólogo Durkheim ao buscar na coesão social uma das causas principais do suicídio. Nesse ínterim a estigmatização e a desinformação sobre os transtornos mentais fomentam a discriminação e o isolamento das pessoas que o apresentam. Tal fator é determinado pelo escasso engajamento do Estado em políticas públicas de alerta da sociedade acerca da realidade do suicídio, com a participação efetiva de profissionais da saúde e pela inexpressiva abordagem dessa temática nas instituições educadoras.

Em face disso, ratifica-se a urgência da participação do poder público em projetos estratégicos de prevenção ao suicídio, por meio de campanhas publicitárias, debates e palestras acessíveis com médicos e psicólogos, os quais alertem sobre os principais sintomas de transtornos psicossociais, como o isolamento do convívio coletivo. Outrossim, atribui-se às instituições de ensino, em conjunto com a família, uma abordagem da problemática da depressão por um viés mais solidário e humanitário, valorizando a temática da autoestima e da inclusão social para atenuar as causas desse distúrbio, por intermédio de debates e dinâmicas escolares que valorizem a importância do cuidado e do respeito com o bem estar físico e mental do próximo.