Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2019

“Moça sai da sacada você é muito nova para brincar de morrer.” A música Amianto, da banda Supercombo, evidencia uma mazela social do Brasil contemporâneo: o suicídio entre jovens. Nesse contexto, a omissão social adjunto a padrões surreais torna necessária a ação de diversos setores sociais para mudar esse cenário.

A priori, para o sociólogo alemão Emile Durkheim, o suicídio é um fator social, ou seja, é consequência do meio social o qual o indivíduo é inserido. Nesse sentido, um ambiente social que apresenta padrões de beleza e vestimenta surreais – influência de uma cultura consumista que impõe uma sociedade de espetáculo, como afirma filósofo Guy Debord – desencadeia nos jovens sentimentos de rejeição e exclusão, devido a não inserção nesse padrão e, por conseguinte corrobora o desenvolver de transtornos psicológicos como: depressão e ansiedade. Logo, devido o sentimento de incompreensão e exclusão esses jovens veem no suicido uma escapatória de uma realidade opressora. Exemplo disso, e a morte da jovem Alinne Araújo, que sofria de depressão, que encontrou de modo triste no autocídio o único meio de escape.

Ademais, o aumento no número de mortes de jovens por autocídio no Brasil segue a contramão mundial. Assim como, afirma à pesquisa do Ministério da Saúde em que, nos últimos dez anos o número de jovens que praticaram suicídio aumentou 17%. Nesse sentido, para o diretor do Centro de Valorização a Vida, Ricardo Paris, 93% dos casos poderiam ser evitados com o acompanhamento especializado. Diante disso, a omissão estatal no desenvolvimento de politicas de prevenção e combate ao suicídio – devido à mitificação social que o falar de pensamentos suicidas e depressivos influencia a busca por tal ato – promove a manutenção da problemática, já que como afirma o escritor Thomas Hobbes é dever do Estado garantir o bem estar social.

Portanto, torna-se evidente a necessidade de medidas que atenuem os casos de suicídio de jovens no Brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Cidadania em parceria com organizações não governamentais desenvolver nos centros comunitários e escolas palestras e workshops, com psicólogos e pessoas públicas sobre a importância de se aceitar e amar além dos padrões sociais impostos, com o intuito de modificar o sentimento de exclusão e incompreensão desses jovens. Além disso, o Ministério da Saúde, por meio do Fundo Nacional de Saúde, deve criar um fundo de apoio aos jovens, com o objetivo de incentivar a busca por ajuda, como o CVV e psicólogos, contribuindo para a desmitificação social e corroborando para o fim dessa mazela social.