Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/10/2019
Na famosa série “13 Reasons Why”, a protagonista narra, de forma póstuma, as razões pelas quais praticou suicídio. Esta obra serve como um importante alerta para o crescente e preocupante número de suicídios entre jovens, notadamente no Brasil, o que torna tal fato um problema de saúde pública a ser solucionado.
Primeiramente, faz-se necessário pensar nas causas do aumento desse índice. O sociólogo Durkheim pressupôs que o suicídio, apesar de ser um ato individual, é um fato social, ou seja, está interligado a questões que envolvem toda a sociedade. Portanto, tem-se que há uma combinação de fatores sociais, culturais e psicológicos que podem culminar em casos de autoextermínio. Entre os adolescentes, destacam-se os transtornos mentais, abuso de substâncias psicoativas, o enfraquecimento de vínculos afetivos, situações de violência como o bullying e o isolamento social causado pela imersão do indivíduo em ambientes virtuais, o que expõe o adolescente a situações de maior vulnerabilidade. Tal situação pode ser retratada pelo jogo “Baleia Azul”, propagado pela internet em 2016, que incentivava a prática de suicídio.
Por oportuno, merece ênfase a escassez de debate atual sobre o tema, tendo em vista que se trata, ainda, de tabu na sociedade. A ausência de espaços de discussão sobre o tema levam à omissão quanto à prevenção. Por outro lado, é necessária a devida cautela ao abordar o tema na sociedade, tendo em vista o chamado “suicídio por contágio”, vez que, conforme a Psicologia do Desenvolvimento, o jovem é influenciado facilmente pelas opiniões alheias. A exemplo disso, pode-se citar a publicação do livro “Os sofrimentos do Jovem Werther”, escrito por Goethe, que impulsionou uma onda de suicídios entre jovens na época em que foi publicado. Desta forma, depreende-se que o tema deve ser abordado de forma responsável, de modo a evitar o incentivo para a prática.
Frente ao exposto, entende-se que esta problemática de saúde pública brasileira deve receber adequada atenção por parte dos órgãos governamentais. Destarte, é imprescindível que os Ministérios da Saúde e da Educação ampliem campanhas como “Setembro Amarelo” junto às escolas, atingindo o público adolescente nesse trabalho de conscientização. Cabe também ao Ministério da Saúde a oferta de serviços públicos de qualidade na área de saúde mental, com profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria, terapia ocupacional, entre outras. É importante também valorizar iniciativas como o CVV (Centro de Valorização da Vida), que visa conscientizar a população sobre a temática e prestar aconselhamentos a pessoas em situação de sofrimento psíquico. Assim, atitudes como a do jovem Werther serão evitadas e o Brasil poderá combater mais eficazmente essa epidemia silenciosa.