Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/10/2019
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, os indivíduos vivem, atualmente, em um sociedade onde as incertezas prevalecem. Essa máxima, corrobora para o avanço do suicídio entre os jovens brasileiros. Desse modo, fatores como os conflitos interpessoais, bem como a negligência emocional que pode acarretar problemas de saúde mental, se tornam um grande desafio a ser superado.
Em primeiro plano, há uma combinação de fatores que podem gerar conflitos interpessoais como a busca pela perfeição. Nesse viés, o filósofo Guy Debour desenvolveu o conceito de Sociedade do Espetáculo, segundo o qual as relações sociais são mediadas por imagens que pregam um modelo de vida perfeita. Por isso, essa busca incessante pelo sucesso pessoal -muitas vezes- baseado na vida do outro vista apenas superficialmente pelas redes sociais, por exemplo, pode desencadear frustrações e levar a problemas de aceitação e ao seu ato mais extremo: desistir de viver.
Deve-se abordar, ainda, que há grande negligencia da comunidade e da família em lidar e falar sobre o suicídio. Com efeito, existe na sociedade o medo do chamado “Efeito Werther” referencia ao livro “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe, o qual após o seu lançamento, na Europa, levou á uma onda de suicídios e gerou a ideia de que se falar sobre pode induzir outros a fazerem o mesmo. Porém, é preciso discutir os malefícios da tristeza profunda, como a depressão - doença psiquiátrica grave- que se devidamente tratada e compreendida pode impedir que essa pessoa tire própria vida.
Em suma, o fenômeno do suicido, necessita urgente intervenção. Dessa forma, cabe aos Ministérios da Educação e da Saúde criar campanhas de prevenção com espaço nas escolas de ajuda psicossocial, a fim de discutir de modo sensato as ideias que levam a esse ato, bem como, orientações as famílias. Visando então o acolhimento e tratamento desses jovens para que as incertezas descritas por Bauman deixem de ser realidade.