Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/11/2019

“Fugere Urbem”, a expressão símbolo dos textos árcades do século XVIII, evidencia todo um contexto caótico e problemático das cidades da época, o qual causava ânsia e o desejo de fuga ao eu-lírico. Analogamente, a realidade brasileira atual não é muito diferente, visto que em um cenário de constante exposição midiática e omissão das instituições sociais, problemas como ansiedade e estresse contribuem para o aumento dos casos depressivos que culminam, não raro, em suicídio. Com efeito, é fundamental debater os impactos e consequências desse problema de saúde pública, bem como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, é fato que que a excessiva padronização imposta pela sociedade pós-moderna ocasiona entraves ao equilíbrio e saúde psicossocial do jovem brasileiro. Nesse viés, com o advento das redes sociais e a exposição desenfreada da rotina de seus usuários, criou-se uma ditadura da felicidade na qual sentimentos como angústia e tristeza são repelidos em detrimento de publicações que nem sempre correspondem à realidade. Nesse viés, segundo estudo desenvolvido pela The Royal Society for Publich Health, as redes sociais agravam tanto os riscos de doenças ligadas à autoestima, quanto a transtornos alimentares, sendo o Instagram o aplicativo avaliado como o mais nocivo à mente jovem.

Outrossim, é evidente que a postura dos agentes de conscientização e educação é questionável. Conforme o pensamento do sociólogo francês Émile Durkheim, o corpo social, tal qual um organismo, deve interagir de forma coesa e funcional. Não obstante, no Brasil, em que cerca de 56% dos alunos entrevistados pelo Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA), apresentam problemas relacionados ao estresse e à depressão, pouca ou nenhuma assistência é oferecida pelas instituições educacionais. Isso se comprova tanto pela falta de investimentos em recursos pedagógicos, quanto pela ausência de profissionais que ofereçam suporte psicológico a crianças e adolescentes.

Considerando-se os aspectos mencionados, é dever do Estado, em consonância com o Ministério de Saúde, aumentar a oferta de vagas para profissionais especialistas em saúde mental, no intuito de aperfeiçoar diagnósticos e oferecer tratamentos gratuitos e de qualidade a crianças e jovens de todo o país. Com isso, é fundamental que o Ministério da Educação, disponibilize materiais didáticos e mídias digitais à capacitação de escolas e educadores, ao mesmo tempo que providencie psicopedagogos e psicólogos às instituições, para que acompanhem e orientem os alunos. Por fim, cabe à mídia, como formadora de opinião, promover campanhas em canais televisivos abertos e eventos temáticos, a fim de despertar a sensibilidade social acerca do tema e combater estigmas.